Repasses para sindicatos oneram a tarifa, diz CEI
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sábado, 18 de julho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Um volume principal e mais de 30 anexos nos quais serão listados quatro grandes grupos de irregularidades no edital da concorrência pública de 2003, nas linhas licitadas a partir de 2004, no contrato firmado nesse mesmo ano, e nos insumos que compõem a planilha , mais o pedido ao Ministério Público (MP) de indiciamento de dois ex-gestores do contrato pelos crimes de negligência e improbidade administrativa. Essa é parte do relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI) criada na Câmara, em fevereiro deste ano. O grupo promete entregar para o prefeito Barbosa Neto (PDT) amanhã, no fim do dia, o resultado das análises na planilha de 2006 com a manutenção de pontos já adiantados no relatório parcial e que renderam polêmica entre Executivo e Legislativo, como a ruptura do contrato com as empresas que exploram a concessão, Francovig e Grande Londrina, e a sugestão de tarifa a R$ 1,99 já inclusos os 6% da inflação do último ano.
Na sexta-feira, os cinco integrantes da CEI reuniram o restante da documentação que compõe os anexos para, ontem e hoje, revisar gramática e juridicamente o texto do relatório final. Seis advogados entre os quais, a procuradora da Casa, Michelle Bazo, três assessores jurídicos e os vereadores Joel Garcia (PDT) e Tito Valle
(PMDB), respectivamente, presidente e membro da comissão, ambos advogados analisam o material. Além das notas fiscais comparando preços da planilha apresentados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) em janeiro de 2006, mais altos que os de produtos semelhantes licitados pelo Governo do Estado, no final de 2008, o relatório ainda vai apontar percentuais repassados pelo Metrolon ao Sinttrol e à Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Paraná (Fetropar), mensalmente, que estariam encarecendo a planilha vigente que já prevê, por exemplo, mínimo de 7,5% de lucro às concessionárias. O Sinttrol, com matriz em Londrina e cinco subssedes na região, é presidido pelo vice-presidente da Fetropar, João Batista da Silva.
De acordo com o presidente da CEI, mensalmente o sindicato das empresas destina ao Sinttrol cerca de R$ 39 mil, referentes a 1,5% de contribuição social e 1% de fundo social. Já a Fetropar, com R$ 26 mil ao mês, fica com 1,5%. Ao todo, no ano, o repasse às duas entidades chega a R$ 780 mil, conforme a documentação levantada pela comissão.
Contribuição social não é dissídio nem contribuição sindical. Somados esses repasses, são R$ 65 mil mensais que acabam saindo da planilha do transporte coletivo e encarecendo o sistema, afirmou Garcia, que não quis detalhar os valores finais levantados pelo relatório.
O presidente do Sinttrol negou que os repasses onerem a planilha. Segundo Silva, essas contribuições não entram no custo da planilha, uma vez que não são itens dela. Questionado sobre a destinação dos valores repassados pelas empresas, Silva justificou. Houve queda no volume de passageiros nos últimos anos, e isso está impondo à minha categoria alguns retrocessos, tais como o fim ou a diminuição da figura do cobrador, declarou. Se o presidente da CEI quer denunciar essas cláusulas (relativas ao repasse), ele vai cair do cavalo são cláusulas compensatórias em função do que abrimos mão pelos retrocessos. Quero mesmo ser investigado que me mandem para a Promotoria e para a Procuradoria, que, aliás, já questionou esses repasses em ação, desafiou.
No final da semana passada, o prefeito disse que iria aguardar o relatório da CEI para contrapor o material à análise encomendada por ele à CMTU, na planilha de 2006. Só então Barbosa deve se manifestar pelo reajuste ou não da tarifa. Esperamos que o prefeito recomponha a tarifa, pois todos os anos tem dissídio e há elevação do piso salarial, comentou o advogado do Metrolon, Moacir Correia Neto. Pelos estudos da CEI, porém, só a Grande Londrina da qual Correia Neto também é advogado à parte do sindicato registrou aumento dos lucros de 2006 para 2008: de R$ 770 mil, pulou para quase R$ 2,5 milhões ano passado.


