Repasses beneficiam entidades ligadas ao MST
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sábado, 21 de agosto de 2004
Sérgio Gobetti<br> Agência Estado 
Brasília - O governo Lula tem compensado a frustração do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com o ritmo da reforma agrária liberando polpudas somas de recursos federais para as entidades que financiam as atividades políticas do agrupamento. Os números do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) da União revelam que os repasses para 37 associações e cooperativas de agricultores, muitas delas ligadas ao MST, cresceu de R$ 23,8 milhões em 2002 para R$ 51,4 milhões nos 19 primeiros meses da gestão petista.
Pelo ritmo de assinatura de convênios, essa cifra pode subir a pelo menos R$ 70 milhões até o final deste ano. Grande parte desse dinheiro é entregue a entidades umbilicalmente ligadas ao MST, como é o caso da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), que funcionam no mesmo endereço da sede nacional do MST, no bairro Santa Cecília, em São Paulo. Juntas, as duas entidades já receberam R$ 7,9 milhões do governo Lula.
Ao contrário de anos atrás, quando o MST buscava convênios com os ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Trabalho, agora a ofensiva por mais recursos se expande por toda a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Até mesmo pastas que aparentemente não têm nada a ver com a questão agrária, como Cultura e Pesca, estão liberando recursos para financiar eventos do MST.
A Secretaria Especial da Pesca, por exemplo, comandada pelo catarinense José Fritsch, já celebrou dois convênios: um no valor de R$ 249.990,00 com a Concrab, para ''fomentar a aquicultura em programas de reforma agrária'', e outro no valor de R$ 30 mil, com a Anca, para patrocinar a II Conferência Nacional por uma Educação do Campo. De acordo com a assessoria do ministro, os convênios com o MST servirão para ''divulgar o potencial da aquicultura'' em assentamentos, por intermédio de seminários, eventos de intercâmbio, cursos de capacitação e cartilhas.
O Ministério da Cultura também aportou R$ 98.040,00 para a Anca e justificou o repasse como parte dos projetos desenvolvidos pela entidade ''nas áreas das artes, tendo como eixo central o resgate da cultura camponesa''. Em nota, a assessoria de Gilberto Gil informou que o convênio foi assinado para contemplar uma emenda parlamentar ao Orçamento de 2005 em favor da Anca.
Até mesmo assessoria jurídica paga pelos cofres federais os sem-terra estão tendo. O Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), por exemplo, prevê repassar R$ 1.527.610,00 para a Anca organizar esse serviço para os trabalhadores rurais. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República reservou neste ano outros R$ 101.210,00 para que a entidade implante núcleos jurídicos no Pontal do Paranapanema.


