O controlador-geral da Prefeitura de Londrina, Sinival Pitaguari, afirmou ontem que o Executivo deve decidir amanhã se retoma ou não os repasses financeiros ao Grêmio dos Operários. A suspensão dos valores entra na próxima semana em seu segundo mês, graças à denúncia de que a entidade estaria se apropriando do dinheiro que paga seguros de vida dos servidores a empresas de Londrina e Curitiba.
Na última sexta-feira, o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, justificou que o repasse mensal cerca de R$ 48 mil deixou de ser feito por medidas de precaução. Na ocasião, Dias afirmou que o fim do impasse dependeria das investigações da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e dos resultados apresentados pela Comissão Especial de Inquérito (CEI), formada na Câmara de Vereadores de Londrina para apurar o caso.
A posição foi reforçada ontem pelo controlador, que espera para amanhã as respostas dos ofícios encaminhados pela Prefeitura ao Grêmio e às seguradoras Bradesco, de Curitiba, e Real, de Londrina. ''Não é nosso objetivo suspender por muito tempo esse repasse, mas precisamos que algumas questões sejam esclarecidas'', comentou Pitaguari. Ele lembrou que em novembro do ano passado a mensalidade já havia sido suspensa, quando do rompimento com a Bradesco e a assinatura com a Real.
Pitaguari declarou que, até o fim da tarde de ontem, a resposta da Real com a qual existe uma apólice de seguro coletiva comprovava que a única dívida em pendência com o Grêmio se refere ao mês de abril deste ano, em função do corte do repasse. ''Mas temos informações de que há quatro parcelas devidas à Bradesco em Curitiba. Juntando toda a documentação que pedimos é que veremos o que será feito'', avaliou o controlador, para completar: ''Na apólice da Real não consta a assinatura do Grêmio. Precisamos que a entidade explique como é a vigência desse contrato'', concluiu.
Hoje, às 9 horas, os membros da CEI se reúnem na Câmara para definir o calendário de depoimentos e analisar os papéis já encaminhados pela Gestão Pública e pelas seguradoras. De acordo com o presidente da Comissão, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), são depoentes previsíveis, até agora, o atual presidente do Grêmio, Luiz Bispo da Silva, e o presidente das duas gestões anteriores, Glenisson Rodrigues.
Já o promotor da PIC, Cláudio Esteves, afirmou que aguarda para o final desta semana ao menos parte da análise contábil feita pela Auditoria do Ministério Público (MP) na documentação reunida nos autos. Esteves explicou que a partir dos resultados, a Promotoria define se instaura ou não inquérito.

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