Ribeirão Preto – O reversor direito do Airbus-320 envolvido no maior acidente aéreo do país seria consertado na noite em que ocorreu a tragédia, segundo o vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo. O equipamento, que auxilia na frenagem, tinha apresentado defeito e, por isso, foi travado.
  A informação sobre o conserto do reversor foi passada por Amparo e por Sérgio Novato, o diretor técnico da empresa, aos deputados da CPI do Apagão Aéreo que visitaram ontem o Centro Tecnológico da TAM, em São Carlos (231 km a noroeste de São Paulo).
  ‘‘Já fazia quatro dias que (o reversor) estava travado e, pela lógica, a aeronave ficaria em Congonhas naquele dia e passaria pelo conserto. Todo o avião passa por manutenção sempre que tenho chance [de agendar]. No caso do reversor, poderíamos ter esperado dez dias, de acordo com o manual do fabricante’’, disse Novato.
  O deputado federal Pepe Vargas (PT-RS) disse aos jornalistas que acompanhavam a visita e aos diretores da TAM que a empresa deveria ter feito o conserto no primeiro dia em que notou o defeito.
  De acordo com Amparo, o vôo feito pela aeronave no dia do acidente era seguro, porque uma manutenção de rotina feita em Porto Alegre não detectou problemas no avião.
  ‘‘O único problema detectado foi o reversor e ele estava travado como manda o manual. A aeronave poderia ter pousado de maneira absolutamente
segura. O reversor não teria
feito diferença nenhuma durante o acidente’’, disse o vice-presidente.
  Na visita, os deputados solicitaram que a TAM envie para a CPI todos os livros de registros de manutenção técnica feitos no Airbus-320. ‘‘Essa é a primeira fase da nossa investigação, que vai acontecer por etapas até verificarmos todos os aviões da frota’’, afirmou Vargas.
  Depois de analisar os registros do Airbus do acidente, os deputados querem todos os registros da frota de Airbus da TAM, depois os registros de todos os aviões comprados zerados (usados que passam por checagem) e, por último, os dados de manutenção de todos os aviões da empresa.
  Os parlamentares também querem visitar os hangares
da empresa em Congonhas e em Guarulhos para ver como são feitas as manutenções mais leves.
  A CPI do Apagão Aéreo também deve fazer uma acareação entre representantes do comando da Aeronáutica, Infraero, Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e TAM. A intenção é tirar todas as dúvidas em relação ao acidente que matou pelo menos 199 pessoas.

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