Além da preocupação com as contas municipais, ao final do seu primeiro mês à frente da Prefeitura de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD) afirma ter diagnosticado ''um descompasso'' na gestão de pessoas da administração. Num balanço deste início de mandato, ele disse à reportagem da FOLHA que o setor precisa de uma intervenção rápida para evitar problemas nos resultados do planejamento que pretende implantar. Kireeff citou como exemplo o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), onde estão lotados 60 servidores, porém, ''temos apenas 14 pessoas trabalhando lá''.
Kireeff afirmou que ''há um descompasso entre a necessidade e a realidade que encontramos''. Ele comentou também sobre a situação da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), com a maioria do quadro de servidores pertencedo à Secretaria Municipal de Educação. ''E isso é generalizado'', complementou o prefeito, reconhecendo que esta foi uma das surpresas que teve até agora. Para ele, a eficiência do planejamento administrativo depende da reorganização do quadro, no entanto, as medidas para esse mudança ainda não foram reveladas.
Contratos emergenciais
De outro lado está um enfrentamento que já era previsto. Kireeff disse estar combatendo a ''acomodação'' dos contratos emergenciais na Prefeitura de Londrina. ''Aquela cultura está quebrada, precisamos de um rompimento com essa opção pelos contratos emergenciais no município.'' Recentemente a Educação negou a contratação emergencial de empresa para preparação da merenda escolar, adiando o início das aulas na cidade. A licitação está em andamento, mas no primeiro pregão nenhuma empresa apresentou a documentação necessária. Amanhã o processo deve ser retomado.
Questionado sobre a renovação do contrato emergencial da empresa Ebepec, que faz a varrição na área central, Kireeff afirmou que ''realmente não é de uma hora para outra que vamos conseguir e em alguns casos vamos acabar fazendo (contratos emergenciais)''.
Caixa
Embora a arrecadação municipal não tenha mostrado sinais de melhoria, Kireeff negou que já tenha feito revisão das suas propostas de trabalho. ''Já sabia dessas dificuldades e o que queremos é manter a estabilidade com eficiência fiscal.'' As receitas seguem sem solução. ''Não vi ainda nenhuma mudança no processo de arrecadação.'' No sábado o prefeito comentou em seu Facebook a preocupação com as contas. ''Os números ainda não oficiais do balanço 2012 do município apontam uma receita corrente líquida de R$ 998 milhões, incluindo as receitas do Profis. A previsão orçamentária era de R$ 1 bilhão e 100 milhões, mas ficou bem longe a realidade'', escreveu.
A constatação do prefeito se reflete nos números repassados à reportagem pelo secretário municipal de Fazenda, Paulo Bento. Segundo ele, ''todas as secretarias têm problemas e se não fizermos o contingenciamento vamos chegar ao final do ano com as mesmas dificuldades anteriores''.
Bento disse que o contigenciamento de 30% nas contas deve começar de fato a partir de agora, com os novos contratos e empenhos. ''Agora vamos começar com as nossas licitações, pois até então tivemos que pagar muitas contas que estavam empenhadas.'' Considerando o mesmo ritmo de arrecadação de 2012 e a manutenção do controle nos investimentos, ele prevê o encerramento do ano com defasagem de cerca de R$ 10 milhões.
A medida a ser adotada pela administração será a busca pelos devedores. ''As contas a receber da prefeitura somam R$ 1 bilhão, sendo cerca de R$ 644 milhões de ISS (Imposto Sobre Serviço) e o restante de IPTU (Imposto Predial e Territorial e Urbano).'' O secretário disse que até março deve ser iniciada a negociação com os devedores. ''Não é Profis (Programa de Recuperação Fiscal), pois o que poderemos fazer é parcelar.''
Sercomtel
Outra preocupação de Kireeff é com o balanço da Sercomtel. Mesmo com a indicação de Carlos Alberto Adati para a presidência, ainda no final de dezembro, o prefeito já confirmou à FOLHA que a definição do nome agora está condicionada aos números, que ele deve receber no próximo dia 21. A assembleia de acionistas será realizada no dia 28. Kireeff também não descartou a vinda do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para a presidência do Conselho de Administração.

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