A renúncia do prefeito José Carlos da Cruz (PPB), que era candidato à reeleição, provocou uma reviravolta na política de Assaí (36 km a leste de Londrina). Por enquanto, apenas o candidato da oposição, Mário Sato (PSDB), está no páreo, mas o nome do substituto do prefeito deve ser anunciado nos próximos dias.
O vice-prefeito Takao Aoki e o ex-delegado Maurílio Avelar, ambos do PPB, são os mais cotados para encabeçar a chapa da situação. Uma reunião do partido, provavelmente no sábado, com a participação dos deputados federal José Janene e estadual Quielse Crisóstomo, deverá definir qual será a nova chapa majoritária.
Na eleição de 96, José Carlos e Sato foram adversários. O prefeito acabou vencendo por uma diferença de apenas 300 votos. A desistência dele impede uma espécie de revanche eleitoral. Enquanto José Carlos anuncia que sua gestão tem sido marcada por importantes obras, principalmente voltadas para a camada mais pobre, Sato afirma que sua candidatura é motivada pela necessidade de livrar Assaí do descrédito e do empobrecimento dos últimos anos.
Nos meios políticos de Assaí ninguém conseguiu encontrar justificativa para a renúncia. O prefeito espalha pela cidade a versão de que teria sido impugnado pela oposição. ‘‘Não suportava tanta perseguição; desde o meu primeiro mandato esse grupo tenta me cassar’’, argumenta. Mas o documento da Justiça Eleitoral deixa claro que foi renúncia espontânea.
A versão entre os opositores é de que José Carlos armou um golpe para sair como vítima dessa campanha eleitoral para, daqui a quatro anos, voltar como uma espécie de ‘‘salvador da pátria’’. ‘‘Não suporto mais tantos golpes baixos e minha saída da campanha é o encerramento definitivo de minha carreira política’’, promete.
Questionado se sua desistência não estava ligada ao risco de perder a eleição, ele afirma que tinha pesquisa interna revelando que estava na frente com folga. Mas a única pesquisa registrada no Fórum mostrava exatamente o contrário: que Sato liderava a corrida eleitoral.
O ex-prefeito e ex-deputado estadual Severino Félix (PMDB) é um dos poucos que disse não ter se surpreendido com a renúncia de José Carlos. ‘‘Antes da campanha falei para ele que não iria se reeleger. O desgaste dele é muito grande. Além dos problemas com a Justiça, são muitos comentários. A cidade é pequena e todo mundo sabe o que acontece.’’
A situação de José Carlos perante à Justiça é complicada. No Fórum, a Folha apurou que ele está sendo investigado por aplicação indevida de recursos do Fundef; aquisição de medicamentos sem licitação (o prefeito alega que já foram enviadas provas ao MP contestando as irregularidades); processo crime por compra de votos, referente a eleição de 92 e ação civil pública por utilização de advogado do município para fins pessoais.
Tramita ainda ação do Ministério Público Federal por falta de declaração patrimonial. Segundo o prefeito, o que teria gerado a ação é o pagamento de dívida agrícola junto ao Banco do Brasil, através da entrega de uma propriedade de 15 alqueires, o que gerou lucro imobiliário. Ele terá ainda, de acordo com outra ação, que devolver recursos por ter recebido salário superior ao que determina a legislação, referente ao seu mandato anterior.

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