Se a sociedade via na cassação do mandato - com consequente perda dos direitos políticos - a punição mais efetiva da Câmara às evidências de quebra de decoro parlamentar, a renúncia de Henrique Barros (agora sem partido) frustrou quaisquer expectativas de que o processo fosse até o final. A análise é do presidente da Comissão de Ética da Casa, vereador Roberto Kanashiro (PSDB), para quem o escândalo envolvendo o colega pode trazer, ao londrinense, uma constatação pessimista: ''A de que tudo aquilo que o cidadão esperou que fosse feito aqui, e que não o foi na Câmara Federal, no caso do mensalão (em 2005), de fato não aconteceu. As evidências mostravam a possibilidade de haver cassação, a sociedade esperava isso, mas foi tudo interrompido''.
Por outro lado, Kanashiro disse acreditar que a pressão sobre o Legislativo não diminuiu, com a saída de cena de Barros. Afinal, além dele, outros quatro vereadores são acusados em ação penal pelos crimes de concussão e formação de quadrilha: Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Renato Araújo (PP) - todos citados por Barros, em depoimento, como supostos integrantes de um esquema de cobrança de propina, de empresários, para aprovação de projetos de lei.
Com a denúncia contra Barros arquivada pela Mesa Executiva, face à renúncia, resta à Comissão de Ética, agora, apurar a representação encaminhada por um eleitor que pede investigação sobre os quatro edis. Questionado se a rapidez adotada na primeira situação - em menos de uma semana, a Comissão encaminhou indicativo por Comissão Processante, à Mesa, que acatou a denúncia e chamou sessão extraordiánria -, Kanashiro ressalvou: ''Os trabalhos serão acelerados dentro daquilo que o processo permite e no momento em que conseguirmos identificar e evidenciar os fatos, dentro da averiguação, mas sempre assegurando o amplo direito de defesa'', salientou. ''Mas ficou claro que aumentou a cobrança da sociedade por essas respostas'', completou o tucano.
Contudo, o relator da Comissão, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), fez questão de lembrar o prazo máximo para conclusão da investigação, que é de 60 dias. Ao mesmo tempo, o petebista não foi enfático sobre agilidade. ''Depende de os vereadores convocados irem a seus depoimentos'', resumiu. Qual a expectativa da comissão em dar respostas efetivas à população? ''Em primeiro lugar, a resposta é para nós mesmos: fazemos a investigação obsersvando todos os fatos'', concluiu.
O presidente da Câmara, Sidnei de Souza, admitiu que a renúncia não causou surpresa, mas negou que a medida minimize o desgaste e a pressão aos quais a Casa ficou sujeita, desde que o escândalo veio à tona. ''Se teve um fato que depõe contra o decoro individualizado, não podemos conceber que isso seja generalizado. O Poder Legislativo como um todo está desgastado, mas agora é trabalhar com muito mais dedicação e seriedade para resgatar aquilo que lamentavelmente a Câmara perdeu: uma imagem respeitosa perante a opinião pública.''

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