A tão falada renovação no Congresso Federal não se consolidou entre os representantes do Paraná. No Senado, o tucano Alvaro Dias, conquistou mais oito anos de mandato. Dos 30 deputados federais, 21 foram reeleitos e dos 54 deputados estaduais, 33 vão continuar na Assembléia Legislativa.
''Se a gente analisar bem, (os novos parlamentares) não é uma renovação em termos de entrada na política. A maioria é de pessoas que já participam da política e que eventualmente perderam os mandatos em eleições passadas e reconquistaram cadeiras neste processo eleitoral. Não são estréias na política'', analisou o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Unifil, em Londrina, César Bueno. ''A política hoje é uma profissão, uma empresa. Quem está no mercado eleitoral tem vantagens porque conhece as regras do jogo, está mais inserido, já participa do poder, estabelece relações com o eleitorado mais fixo, relações de financimanto da campanha. As vantagens do candidato à reeleição em relação aos novatos é muito grande, o que ao meu ver, dificulta as renovações'', disse.
Para Bueno, a falta de novas lideranças também dificulta a renovação nos parlamentos. ''Temos que motivar novas lideranças e temos dificuldade para isso em função do desgaste na política. A maioria prefere fazer a vida no setor privado do que partir para o meio público.''
O cientista político ainda prevê uma ''polarização ideológica mais clara'' para o segundo turno das eleições nas disputas pelo governo do Estado e presidência da República. ''Por um lado, vamos ter o (Geraldo) Alckmin (PSDB) se associando ao Osmar (Dias - PDT), e de outro lado, um vínculo mais estreito entre o Lula (PT) e (Roberto) Requião (PMDB). Acho que tanto no campo federal quanto para o governo do Estado haverá uma disputa ideológica mais certa. Tanto o PT quanto o Requião vão se distanciar da apresentação de propostas comparativamente a Osmar e Alckmin. Vamos ter um confronto mais aberto. Tudo será novo no segundo turno. Lula e Requião vão fazer críticas pesadas e a recíproca será verdadeira'', salientou.
Bueno atribuiu o segundo turno para a presidência, ao escândalo da compra do dossiê contra os tucanos, envolvendo o PT. ''Essa questão do dossiê repercutiu negativamente e tirou a possibilidade do Lula ter vitória no primeiro turno. A falta de debate do governo Lula também contribuiu para o segundo turno'', avaliou.
Para ele, os ''ataques mútuos'' entre PT e PSDB, podem gerar uma instabilidade política no País. ''Foi uma surpresa na última semana o Alckmin ir para o segundo turno. Esse fato vai criar nos próximos 15, 20 dias, uma certa instabilidade política'', concluiu.

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