Renovação não garante mudanças na Assembléia
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os 54 deputados estaduais eleitos em outubro tomam posse hoje, às 15 horas, na Assembléia Legislativa (AL) do Paraná. Entre eles, 16 parlamentares que pela primeira vez ocuparão uma cadeira na AL e quatro que retornam depois de exercerem outros cargos. A renovação de 37% em relação à legislatura anterior, no entanto, não deve trazer grandes mudanças no comportamento geral da Assembléia, já que a bancada governista continuará sendo ampla maioria. Mesmo assim, alguns dos ''novatos'' querem conquistar espaço defendendo tanto projetos para suas regiões quanto propostas que acabem com velhos vícios da política nacional e estadual.
Dos 20 novos deputados, dez vão integrar a bancada de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB). Sete deles são peemedebistas, incluindo nomes de peso como o do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida, e dos ex-secretários de Estado Waldyr Pugliesi e Luiz Cláudio Romanelli, que já cumpriram mandatos na Assembléia. Mas a tropa requianista é reforçada também por dois parlamentares do PT e um do PMN. ''Vou fazer base para o governo para aprovar os projetos de interesse do Estado'', afirma Manoel Batista da Silva Junior, o Dr. Batista (PMN).
Médico especialista em cirurgia do aparelho digestivo, o ex-vereador de Maringá se diz animado para assumir seu primeiro mandato como deputado. ''Tentei por três vezes e só agora consegui realizar este velho sonho'', comenta. Além de apoiar o governo, Dr. Batista pretende apresentar projetos de leis que favoreçam a saúde pública, a geração de empregos, o esporte e, principalmente, a medicina preventiva.
Se Dr. Batista é um dos dez novatos que apoiarão o governo, o mesmo não acontece com Edgar Bueno (PDT). Ex-prefeito de Cascavel, Bueno já foi deputado estadual. Em seu primeiro mandato, conseguiu ser situação e oposição em apenas quatro anos. ''Eu era da base de apoio do governador Jaime Lerner, mas quando ele trocou o PDT pelo PFL, passei para a oposição'', conta. Agora, espera usar essa experiência para se opor ao governo Requião. ''Mas não vou fazer oposição raivosa ou sistemática. Será uma oposição de conceito de governo'', explica.
Além dele, outros quatro novatos devem integrar a bancada oposicionista: Fábio Camargo e Osmar Bertoldi (ambos do PFL), Ney Leprevost (PP) e Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB).
Outro grupo de cinco novos deputados, por sua vez, promete adotar uma postura independente na Assembléia. Entre eles está o ex-prefeito de Londrina por três mandatos, Antonio Belinati. Eleito com 81 mil votos, ele garante que não vai entrar para a bancada governista e nem fazer oposição. A independência também se refere aos possíveis beneficiados dos projetos que apresentar. ''Vou trabalhar pela região de Londrina, mas sem compromissos com ninguém'', afirma Belinati, acrescentando que não teve apoio de nenhum prefeito durante a campanha eleitoral. Sua atuação como deputado tem um objetivo claro. ''Nunca escondi de ninguém que eu queria ser deputado estadual por causa de um projeto maior, que é ser 'tetraprefeito''', declara, antecipando sua intenção de se candidatar novamente no ano que vem.
Para outros parlamentares, a independência tem objetivos menos eleitoreiros. ''Não entendo essa história de de entrar na Assembléia com rótulos'', afirma Rosane Ribas Ferreira (PV), única mulher entre os novatos. ''Minha intenção é me somar aos deputados que buscam credibilidade junto à sociedade'', acrescenta.
Apesar da uma certa postura crítica em relação ao governo, os deputados do bloco independente garantem que isso não vai impedir que votem a favor de propostas vindas do Executivo. ''No que for favorável ao povo, voto com o governo. Senão, sou contrário'', justifica Douglas Fabrício (PPS), eleito pela região de Campo Mourão.
Com a distribuição dos novos parlamentares entre as diferentes bancadas da Assembléia, estima-se que entre 32 e 34 deputados formem a base aliada do Governo Requião. A oposição, ainda mais reduzida, teria cerca de 15 deputados, enquanto os independentes teriam entre cinco e sete representantes.


