Em reunião a portas fechadas ontem de manhã com um grupo de vereadores, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), reforçou que o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto na cidade não estão renovados com a Sanepar, ao contrário do que afirmou em Plenário o presidente da estatal, Stênio Jacob, na última terça-feira. Ao mesmo tempo, Nedson admitiu ser de ''caráter político'' a renovação do contrato com a estatal, conforme prevê projeto de lei do Executivo que aguarda votação na Câmara desde o ano passado. Além dos nove parlamentares, também esteve presente no gabinete do prefeito o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos.
De acordo com o prefeito, as duas únicas possibilidades plausíveis seriam a municipalização defendida pelos vereadores à qual ele é contrário ou o gerenciamento realizado pela Prefeitura. Aqui, porém, já é condição prévia que a Sanepar seja a executora do serviço. Conforme o petista, o único detalhe que ainda não é consenso entre as partes, em ''conversas tidas entre nós no decorrer do projeto de lei'', é a definição da tarifa. Mesmo assim, esse também parece não ser o problema. ''O novo plano nacional de saneamento que tramita no Congresso deve ser votado ainda este ano. Por ele (em seu artigo 32), seria o Município quem definiria o valor das tarifas e a Sanepar prefere aguardar a aprovação disso'', comentou o prefeito.
Esse item do projeto de lei federal se tornou substitutivo naquele encaminhado aos vereadores de Londrina. Sobre o interesse político de renovar com a Sanepar, Nedson reconheceu que boa parte dele veio de conversas com o governador Roberto Requião (PMDB). ''Há o interesse dessa relação política do Estado com a cidade, mesmo porque a Sanepar fez grandes investimentos aqui'', justificou.
A respeito do termo aditivo assinado na administração de Luiz Eduardo Cheida, em 1996, o atual chefe do Executivo descartou que a medida tenha qualquer validade, como defende Jacob. Pelo termo, o contrato de 1974 que expiraria em 2003 teria sido renovado por mais 30 anos. Questionado sobre a razão de não ter ingressado com ação judicial, portanto, o prefeito resumiu: ''Porque até o momento não houve esse impasse, tanto que a Sanepar tem falado na renovação. Só iremos à Justiça caso a estatal não assine um novo contrato.''
Defensor ferrenho da municipalização total do serviço, o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), deu sinais após a reunião de que alguma coisa pode mudar. ''A renovação com a Sanepar não é voz corrente entre os vereadores, mas pelo menos o prefeito se comprometeu a especificar mais o projeto de lei que nos encaminhou. É um bom sinal, e, se a Sanepar é uma empresa pública, não penso que o Nedson esteja errado em querer mantê-la'', declarou Bonilha. Por outro lado, o parlamentar afirmou que o Legislativo deve contratar uma consultoria antes de votar a matéria.
Para o petebista Sidney de Souza, a ''posição política'' do prefeito não deve afetar a opinião dos demais membros da Casa. ''Mesmo a Câmara tem discutido esse assunto de forma superficial, mas ela não tem que concordar com o Executivo porque as informações do prefeito não são jurídicas nem técnicas, mas pessoais'', definiu.

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