Renilda diz que Valério temia sofrer desvantagem
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Folhapress 
Brasília - Em seu depoimento à CPI dos Correios, Renilda Santiago afirmou que seu marido, Marcos Valério de Souza, intermediou empréstimos para o PT porque não queria ''ter desvantagens'' nos contratos que as empresas das quais é sócio tinham com órgãos públicos.
Negou, porém, que ele tivesse vantagens. ''Ele participou de uma licitação na Petrobras e perdeu; se tivesse alguma vantagem, teria ganho todos os contratos'', disse. ''Ele aceitou [ajudar o PT] não para obter vantagens, mas para não ter desvantagens nos contratos que já mantinha com o governo.''
No ano passado, as empresas de Valério administraram R$ 150 milhões em seus principais contratos federais.
Em seu depoimento, Renilda Santiago arrolou os sócios das empresas de seu marido como co-responsáveis por eventuais irregularidades que venham a ser descobertas. ''Nenhum cheque pode ser assinado somente por Marcos Valério; ele não é o único dono.''
Renilda repetiu a linha geral do depoimento de seu marido. Declarou, em diversas ocasiões, que não tinha conhecimento dos contratos ou das transações financeiras das empresas das quais é sócia.
Ela também não soube explicar a movimentação de quase R$ 10 milhões em suas contas, nos períodos de 2003 e 2004. Questionada por diversos parlamentares, afirmou que uma das contas recebia R$ 60 mil mensais, a título de pagamento de salários de Marcos Valério. Em outra, ela mesma era destinatária de R$ 3,5 mil por mês. Além disso, tinha divisão de lucros. Renilda afirmou que ela só pagava despesas da casa.
''São muitos os cheques assinados por ela para não lembrar. Ela chegou a movimentar quase R$ 10 milhões. Só se assinava cheques em branco'', disse o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR).


