René Dotti inicia defesa de Beto Richa em Londrina
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terça-feira, 26 de maio de 2015
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
Constituído há uma semana como advogado do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e da primeira-dama, Fernanda Richa, René Dotti iniciou por Londrina a estratégia para afastar o casal tucano das investigações sobre corrupção na Receita Estadual. Ele apresentou um pedido de habilitação ao juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, responsável pela ação penal da Operação Publicano. O magistrado negou para "resguardar o sigilo que envolve esse feito". Contra Beto e Fernanda não existe qualquer acusação formal, apesar de pessoas próximas ao Palácio Iguaçu aparecerem como supostos líderes do esquema.
Em entrevista à FOLHA, o advogado confirmou a iniciativa e avaliou positivamente o despacho do magistrado, expedido ontem. "O juiz indeferiu o pedido explicando que eu não represento nenhum investigado, ou seja, não há no despacho do juiz qualquer indício de prova contra o governador nesse processo", analisou Dotti. Beto Richa, que tem foro privilegiado como governador, não seria investigado pela Justiça de Londrina mesmo que houvesse provas contra ele, cabendo a apuração a instâncias superiores.
René Dotti, também defensor de outros políticos como o ex-deputado Carli Filho (acusado de homicídio ao dirigir embriagado em Curitiba), afirmou que o governador, "embora não seja acusado de nenhum crime, tem interesse moral de esclarecer qualquer dúvida para não parecer que ele praticou alguma infração".
Sobre o procedimento instaurado pelo Ministério Público (MP) do Paraná para apurar responsabilidades por eventuais excessos cometidos no Centro Cívico, em 29 de abril, Dotti ressaltou a tese de que a Polícia Militar (PM) cumpriu o compromisso de proteger a Assembleia Legislativa (AL), tendo em vista a ocupação ocorrida na semana anterior pelos manifestantes. "Eu espero que a Procuradoria de Justiça faça o melhor levantamento possível para identificar as causas e circunstâncias que envolveram o episódio e, principalmente, presença pessoas estranhas aos professores e as suas reivindicações, inclusive partidos políticos."
Conforme Dotti, o pedido de impeachment do governador apresentado na AL, com base na ação da PM, "não tem o menor sentido".


