Curitiba - Após seis anos com queda de salários, o crescimento da economia no ano passado promoveu uma ''tímida'' recuperação na renda do trabalhador. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), houve uma queda de 28% na renda do trabalhador embutida nos salários no período de 1998 a 2003. Em 2004, houve um crescimento real de 1,22% da massa salarial. O salário mínimo, que passa a vigorar a partir de hoje, 1º, teve aumento maior, sendo 15,4% nominal e 9% real.
As perdas ocorridas em seis anos representaram perda real de um terço do poder de compra dos salários, constata o economista do Dieese, Cid Cordeiro. ''Foi um período de baixo crescimento da economia, aumento do desemprego, terceirização de mão-de-obra nas empresas, elevada rotatividade e ainda, aumento da inflação em alguns períodos'', analisa. Para o economista, esse cenário dificultou a mobilização dos trabalhadores e os resultados nas negociações coletivas.
Nesse período, o Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento médio de apenas 1,5%, enquanto a inflação apresentou variação média de 8,13%. a taxa de desempreego alcançou 18,60% e a renda teve queda real de 5,39% por ano. No ano passado, porém, o PIB avançou 5,18%, a inflação recuou para 7,7%. O desemprego se manteve estável.
Para este ano, as previsões são otimistas em relação ao que aconteceu até 2003. O PIB deve crescer 3,5% e a inflação deve se manter em 6,5%, conforme estimativa do mercado. Segundo Cordeiro, o trabalhador está convivendo com um novo cenário de acesso ao crédito com desconto em folha de pagamento ''uma conquista do sistema sindical'', diz o economista. O volume de crédito, nessa modalidade, cresceu 20% nos últimos 12 meses, o que ''comprova os reflexos positivos na vida do trabalhador''.
Essas conquistas levam a novos desafios. Segundo Cordeiro, os trabalhadores também lutam pela queda na taxa de juros para aliviar o orçamento das famílias e para que seja criado um ambiente para o crescimento da economia. Outras bandeiras de luta para este ano são a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a redução da carga tributária sobre os salários. Os trabalhadores querem a atualização da tabela do Imposto de Renda.

mockup