BRASÍLIA - A CPI dos Títulos Públicos, que investiga denúncias de irregularidades em operações financeiras de Estados e municípios, está se transformando em arena para brigas políticas regionais. Ontem, o relator da CPI, Roberto Requião (PMDB-PR), aproveitou a denúncia sobre o uso irregular de debêntures para acusar o governador do Paraná, Jaime Lerner (PDT), de favorecer uma montadora de automóveis, em prejuízo da Companhia de Eletricidade do Estado (Copel).
Segundo Requião, Lerner emitiu debêntures lastreadas em ações da Copel e que R$ 400 milhões desses recursos teriam sido usados na compra de ações da Renault, montadora francesa que está se instalando naquele Estado. Na avaliação do senador, o governo pode perder o controle da Copel, se o mercado desta ação sofrer uma baixa súbita. ‘‘O governo está estatizando uma montadora de automóveis e desestatizando uma companhia elétrica’’, disse.
Em Santa Catarina, o governador Paulo Afonso (PMDB), que vem reclamando de uma perseguição política promovida por seus adversários, denunciou desvios de recursos da Companhia de Eletricidade (Celesc) pelos ex-governadores Esperidião Amin (PPB) e Vilson Kleinubing (PFL). Só Amin teria transferido recursos do caixa da Celesc, no valor de R$ 18,8 milhões. Os ex-governadores, atuais senadores, têm atuação marcante nos trabalhos da CPI.
Os recursos, segundo o presidente da Celesc, Paulo Tatim, foram transferidos para o tesouro estadual para pagar os salários do funcionalismo em atraso. Diz um fax da Celesc: ‘‘Tais valores nunca foram devolvidos e encontram-se pendentes na contabilidade da Celesc’’. Prossegue: ‘‘Com a posse do governo Kleinubing, em 1991, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento _ Casan, deixou de pagar suas faturas de energia elétrica durante todo o seu governo. O montante atualizado em janeiro de 1997 corresponde ao valor expressivo de R$ 60 milhões.’’
Hoje, Kleinubing deu o troco. Segundo ele, há indícios de irregularidades nas operações de emissão de títulos de Santa Catarina suficientes para justificar o impeachment do governador Paulo Afonso. O senador aponta: por falsidade ideológica, por transferência de recursos públicos para beneficiar terceiros ou para beneficiar as próprias pessoas envolvidas no processo.

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