Renato Duque começa a negociar delação premiada
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
Estelita Hass Carazzai<br> Folhapress 
Curitiba - Preso na Operação Lava Jato, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque contratou um escritório de advocacia e começou oficialmente, ontem, a negociar um acordo de delação premiada. Duque, cuja indicação à estatal é atribuída ao PT, é acusado de ter recebido propinas milionárias em contas no exterior e de usar obras de arte para lavar o dinheiro. Ele já é réu em quatro ações penais e foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público Federal nesta semana. Preso desde março numa penitenciária comum no Paraná, Duque vem demonstrando abatimento. Segundo apurou a reportagem, a família chegou a questioná-lo por que ele continuava a proteger quem estava do lado de fora. Ele sempre negou as acusações.
O ex-diretor assinou ontem contrato com o escritório do advogado Marlus Arns de Oliveira - que negociou as colaborações dos executivos Dalton Avancini e Eduardo Leite, da Camargo Corrêa. As tratativas com Duque, que o procurou, começaram há cerca de um mês. A família de Duque foi quem fez o apelo para que ele optasse pela delação, segundo o advogado. A possibilidade da delação do executivo traz preocupação a membros do PT, partido que o indicou ao posto de diretor de Serviços. Os contratos da diretoria, segundo afirmam delatores da Lava Jato, eram a porção do PT na divisão da propina. Arns, porém, não adiantou nomes ou fatos que podem ser mencionados na tratativa de delação, por questões de sigilo profissional -mas disse que "possivelmente" haverá pessoas com foro privilegiado. "Há muita notícia fantasiosa", disse o advogado. "É um processo lento, que nem foi iniciado com o Ministério Público." Segundo ele, Duque optou pela delação como "uma estratégia de defesa para que saia o mais cedo possível da prisão". O advogado diz que não houve pressão ou ameaças, e que a decisão foi tomada de livre iniciativa por seu cliente.
Os atuais advogados de Duque, Renato de Moraes e Alexandre Lopes, permanecem como defensores do ex-diretor nas ações penais. Arns fica responsável somente pela tentativa de negociação com o Ministério Público Federal - que ainda será iniciada. Se o acordo for fechado, os outros dois defensores, que são contra a delação, se retiram da causa. Arns faria as primeiras entrevistas com o cliente ainda ontem. Depois, irá marcar uma reunião com os procuradores para iniciar a tratativa de acordo. O Ministério Público Federal pode ou não aceitar o que Duque tem a oferecer. Cabe aos procuradores estabelecer as condições da colaboração, como multas e tempo de detenção. Só depois, com o termo assinado, é que Duque começa a depor oficialmente aos investigadores.


