Renata Bueno aguarda convocação para parlamento da Itália
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Primeira brasileira eleita para o parlamento italiano, Renata Bueno aguarda a convocação oficial para assumir o cargo de deputada na Europa. Filha de Rubens Bueno (PPS), ela foi vereadora em Curitiba nos últimos quatro anos, mas os 4.791 votos que obteve no pleito de 2012 não foram suficientes para garantir sua reeleição pelo PPS. Fora do Legislativo, ela decidiu em janeiro que seria candidata na ''cota para residentes no estrangeiro'', criada na Itália em 2006. Ela atendia aos requisitos, pois tem dupla cidadania italiana.
Das seis vagas abertas para a América do Sul, três foram ocupadas por brasileiros e três por argentinos. ''É a primeira vez que isso acontece'', festejou Renata. Tradicionalmente a Argentina ''ganha'' essa eleição, onde votam os descendentes com naturalidade reconhecida pela Itália, pois possui o dobro de eleitores que o Brasil. A novata acompanhará o paulista Fábio Porta, reeleito para a função, e o senador Fausto Longo. Todos os três são filiados ao Partido Democrático (PD), mas a filha de Rubens Bueno concorreu por uma ''chapa'' diferente. ''De centro-esquerda'', diz a política.
As eleições na Itália são diferentes das realizadas no Brasil, com os concorrentes se ''filiando'' momentaneamente a uma ''lista''. No caso de Renata, ela concorreu pela ''independente'' USEI (Unione Sudamericana Degli Emigranti), liderada pelo argentino Eugenio Sangregorio. Os outros brasileiros eleitos estavam na lista ''oficial'' do PD. Ela obteve 18.077 votos nominais, suficiente para ficar com a vaga conquistada pela USEI na apuração latina. Na campanha, teve o apoio nacional do PPS e visitou diversos Estados, como Santa Catarina e Espírito Santo, que possuem grande número de descendentes de italianos. A criação de consulados nesses dois Estados foi uma das promessas da campanha.
Se estivesse vereadora, ela receberia R$ 13,5 mil de subsídio, um veículo e 200 litros de combustível por mês. No parlamento italiano, o vencimento é de 9 mil euros (R$ 23 mil), mais 3,3 mil euros (R$ 8,5 mil) a cada três meses para transporte e 3 mil euros (R$ 7,7 mil) para telefone. Esses valores constam na prestação de contas do deputado Fábio Porta na internet. Em janeiro de 2012 os valores eram 10% maiores, mas foram reduzidos após uma onda de reportagens indicando que os políticos italianos são os mais bem pagos da Europa, ganhando o dobro da média dos outros países. O parlamento da Itália tem 630 deputados, 12 deles ''estrangeiros''. O mandato não tem duração definida, pois o regime parlamentarista permite ao presidente dissolver o Congresso sem aviso prévio.


