Brasília - Diante das pressões de deputados da oposição e de grande parte da base aliada, inclusive o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recuou e vai determinar a indicação dos nomes para compor a CPI mista da Petrobras na próxima terça-feira, 6 de maio. Renan comandava a estratégia do Palácio do Planalto de adiar ao máximo o início das investigações a fim de evitar mais desgaste à presidente Dilma Rousseff. No entanto, as ameaças de levá-lo ao Conselho de Ética e à Procuradoria-Geral da República o fizeram reconsiderar.
A mudança de posição ocorreu na noite de terça-feira última, após ter sua estratégia de protelar a CPMI rechaçada pela oposição. Deputados ameaçaram a abertura de processos pelo que entendem como descumprimento de decisão judicial. Disseram ao presidente do Senado que acionariam o Conselho de Ética da Casa e a Procuradoria-Geral da República. Lembraram ainda que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, é seu indicado e poderia virar alvo em alguma comissão da Câmara. Ressaltaram ainda que buscariam novamente o STF e teriam grandes chance de conseguir nova liminar da Corte, agora sobre a CPI mista. "Na terça-feira (6) vamos reunir os líderes para pedir que indiquem os nomes (da CPI mista)", disse.
Apesar da determinação de dar início às indicações, líderes do PT devem adiar esse momento pelo prazo possível. "Temos as condições de fazer a investigação equilibrada no Senado. Na terça-feira, se forem recebidas as indicações para a CPI mista, provavelmente vamos apresentar o pedido da CPI do Metrô", ameaçou o líder do PT, senador Humberto Costa (PE).
Como os Regimentos Comum e do Senado não são claros sobre os prazos de indicação, deve valer a regra estabelecida pela Câmara, que dá aos líderes cinco sessões plenárias para que os líderes façam suas escolhas. Não havendo indicações pelas lideranças, as nomeações ficam a cargo do presidente do Congresso. Esse deve justamente ser o caminho de Renan Calheiros caso Humberto cumpra a promessa. "Se não houver indicações, caberá ao presidente do Congresso fazê-la. E eu vou fazer isso", ressaltou o senador.
O assunto ainda deve ser discutido no Encontro Nacional do PT, que acontece nesse fim de semana, em São Paulo. A avaliação de alguns membros do partido é fazer as indicações o mais breve possível, instalar a CPI mista e controlar os rumos que a investigação pode tomar. Para outra ala, mais próxima ao Palácio do Planalto, uma comissão com deputados e senadores pode fugir do controle e acabar deteriorando ainda mais a imagem de Dilma.

Membros
Em paralelo às indicações para a CPI mista, Renan avisou que quer instalar a CPI exclusiva do Senado já na próxima semana. Dos 13 integrantes, 10 são aliados do Planalto, um cenário menos ameaçador ao governo.
Serão quatro do bloco de apoio ao governo, liderado pelo PT, e que terá escalados os senadores Humberto Costa, José Pimentel (PT-CE), Aníbal Diniz (PT-AC) e Acir Gurgacz (PDT-RO). O bloco União e Força, encabeçado por Gim Argello (PTB-DF), contará também com o suplente da ministra da Cultura, Marta Suplicy, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP). Até o fechamento desta edição, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder do bloco de apoio ao governo, não havia escolhidos os senadores para a CPI.
A oposição, que tem três vagas, contará com os tucanos Alvaro Dias (PR) e Mário Couto (PA). O líder do DEM, José Agripino (RN), disse que só indica seus nomes após ver instalada a CPI mista.

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