Brasília - No mais tenso embate com a oposição desde o estouro das denúncias que enfrenta, o senador Renan Calheiros discutiu e fez ameaças em plenário ao líder do DEM, José Agripino Maia (RN), e atacou adversários e o Grupo Abril, que publica a revista ''Veja''.
Orientado por aliados, Renan fez um gesto simbólico ao deixar a cadeira de presidente do Senado, pela primeira vez, para discursar da tribuna. De lá, replicou: ''Não me envergonho, sabem por quê? Porque sei o que faço, sei o que fiz''.
O pronunciamento, mais uma vez, gerou manifestações da oposição para que ele se licenciasse da presidência. Mas a reação de Renan foi diferente. Após ouvir de Agripino que a oposição faria obstrução às votações enquanto ele não saísse do cargo, Renan retrucou.
''Se estivesse nessa situação, com os negócios que tem, com as concessões que tem, com os financiamentos bancários e estatais, talvez não aguentasse duas semanas de acusação como tenho aguentado'', disse. Agripino reagiu com o dedo em riste: ''Que débitos? Onde é que existe algum pecado? Se tem, vossa Excelência tem a obrigação de dizer''.
O pronunciamento de Renan, que precedeu o bate-boca, durou 18 minutos e foi acompanhado por 20 senadores. A fala começou com uma queixa: ''Há mais de dois meses venho sendo vítima de um impiedoso e irresponsável ataque que já se transformou em campanha''.
Renan criticou as duas representações - a do PSOL que está em curso, e a feita em parceria pelo DEM e pelo PSDB. Sobre a primeira, originada a partir das denúncias da jornalista Mônica Veloso, classificou como ''tentativa de criar a falta de decoro familiar''. Da segunda, disse ser ''rabiscada em guardanapos''.

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