Renan 'trabalha' para derrubar parecer que pede sua cassação
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segunda-feira, 03 de setembro de 2007
Rosa Costa e Ana Paula Scinocca<br>Agência Estado 
Brasília - Convencido de que será derrotado amanhã no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), trabalha para assegurar a derrubada no plenário do parecer que pede a cassação do mandato. De iniciativa dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), o relatório aponta oito procedimentos de Renan que caracterizariam quebra de decoro parlamentar.
A expectativa é que o documento seja aprovado por 10 votos a 5, mesmo placar de quinta-feira (30), quando o colegiado decidiu pela adoção do voto aberto. O presidente do Congresso não compareceu ontem ao Senado. Segundo os assessores de Renan, ele ficou em casa, telefonando para os colegas. A estratégia de Renan agora é convencer os companheiros da Casa a absolvê-lo em votação do plenário. O voto secreto é tido como um ''atenuante'' que asseguraria a Renan reverter pelo menos 4 dos 10 votos do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
No plenário, o presidente do Senado deve contar ainda com o apoio de petistas fiéis ao comando do governo. A votação em plenário deve ocorrer na próxima semana. Antes, o parecer aprovado no Conselho de Ética e Decoro será submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), encarregada de atestar a admissibilidade da representação.
Em vez de estimular as manobras, aliados de Renan afirmam que, agora, ele quer mesmo é apressar o processo para que chegue logo ao plenário. Os demais senadores também desejam o fim da enxurrada de denúncias contra Renan, pois avaliam que, acima de tudo, a imagem do Senado é que está arranhada.
Os aliados do senador do PMDB de Alagoas abandonaram a idéia de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o Conselho de Ética a apreciar o relatório sobre ele em votação sigilosa. Pesaram na decisão três pontos: a certeza de que o STF consideraria se tratar de uma questão interna, que deve ser resolvida pelo Senado; o segundo item é que pareceria se tratar de mais uma manobra. Por fim, restou o temor de que o Supremo Tribunal opinasse em defesa do voto aberto.
''Não pode haver mais nenhum rito protelatório'', defendeu o senador Tião Viana (PT-AC). Primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana vê com cautela a anunciada decisão de PSOL de representar, novamente, contra Renan. Segundo o primeiro vice-presidente do Senado, a nova representação (seria a quarta) - de que o senador do PMDB teria sido favorecido por um esquema de arrecadação de propina nos ministérios comandados pelo PMDB - deve aguardar a votação da primeira apresentada contra ele. ''Senão, vamos abrir uma avalanche de denúncias'', alegou. ''Se é para investigar, que se abra uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para investigar a tudo e a todos. É preciso uma organização do fluxo de denúncias.''
Renan é investigado por suposta quebra de decoro em três processos diferentes. O primeiro deles, que será apreciado quarta-feira pelo conselho, diz respeito à suspeita de que teria as despesas pessoais pagas pelo suposto lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. A segunda ação refere-se à acusação de que teria favorecido, politicamente, a cervejaria Schincariol no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à Receita Federal, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerante pertencente ao irmão dele, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). A terceira denúncia trata da parceria de Renan com o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL) na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em nome de laranjas.


