Brasília - Um dia depois da presidente Dilma Rousseff anunciar o plebiscito da reforma política como prioridade para o seu segundo mandato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou ontem ser contrário à sugestão da petista. Em nota, Renan defende um referendo como mecanismo para a aprovação da reforma, e não um plebiscito para que os brasileiros decidam o que deve mudar no sistema político do país - como defende Dilma. "Entendo que o melhor caminho é o Congresso Nacional aprovar a reforma - caso contrário poderá pagar caro pela omissão - e submetê-la a um referendo popular, como fizemos na proibição de venda de armas e munições", afirmou em nota.
Pela legislação, o plebiscito é o mecanismo utilizado para consultar a população sobre um determinado assunto, antes das novas regras serem aprovadas pelo Congresso ou Executivo. No referendo, a população apenas ratifica ou não as mudanças já aprovadas. Em seu discurso depois de reeleita presidente, Dilma defendeu o plebiscito para que a população decida os pontos da reforma. Na opinião de Renan, cabe ao Legislativo a decisão sobre os pontos de mudança no sistema político - uma vez que não há consenso sobre o que deve mudar nem mesmo entre os congressistas.
"Reitero minha defesa pela reforma política como o fiz desde sempre e, em especial, em 2013, após as manifestações cívicas. Por ser tratar de uma unanimidade estática, onde todos são favoráveis, mas ela nunca prospera, devemos mesmo recorrer à força transformadora da sociedade", afirmou.

RESISTÊNCIAS
No ano passado, o Congresso enterrou a proposta de plebiscito da reforma política, sugerida por Dilma logo após as manifestações de ruas do mês de junho. A sugestão da petista não encontrou apoio nem mesmo entre os partidos aliados do governo, com exceção do PT e PCdoB, que se mantiveram em favor da consulta popular. Na época, Dilma lançou cinco "pactos" em resposta às manifestações de rua que tomaram o país em junho do ano passado. Um deles era a reforma política por meio de plebiscito popular.

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