O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ficou irritado com a interferência do Palácio do Planalto em convencê-lo a desistir de presidir a sessão do Congresso Nacional para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) esta noite. Depois de anunciar que não presidiria a sessão, mesmo contrariado com a pressão, Renan foi conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Até o fechamento desta edição, a reunião entre Lula e Renan ainda não havia terminado.
Renan reclamou a interlocutores que as informações indicando que o Palácio teria sugerido a sua desistência em comandar a sessão contribuíram para enfraquecê-lo politicamente. A Folha Online apurou que, nos últimos dias, o peemedebista percebeu que está perdendo apoio de seus principais aliados.
A prova disso, segundo interlocutores de Renan, foi a sessão plenária do Senado desta tarde na qual somente dois senadores se manifestaram em defesa do peemedebista: os colegas de partido Wellington Salgado (MG) e Almeida Lima (SE).
No plenário, os relatores do processo contra Renan trocaram farpas e acusaram Lima - que também relata o processo - de agir para protelar as investigações sobre o senador. Renan sentiu que lideranças de peso do PMDB decidiram abandoná-lo com a crescente onda de denúncias que atingem sua imagem.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), chegou a ameaçar obstruir os trabalhos do Senado se ''manobras protelatórias'' continuarem a interferir nas investigações do Conselho de Ética sobre Renan.
Renato Casagrande (PSB-ES), que integra a base aliada do governo, disse que há mais de 40 dias o Senado não consegue dar início às investigações sobre o presidente da Casa. ''Se entrarmos no recesso parlamentar sem encaminharmos a perícia, teremos dificuldades para expor isso à sociedade brasileira'', enfatizou o relator.

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