Brasília - Depois de se afastar da presidência do Senado por 45 dias, Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu ontem licença de dez dias do mandato ''para fazer exames médicos''.
A assessoria do senador disse que ele não está doente, apenas irá fazer uma ''bateria de exames'', seguindo o que faz todos os anos.
A saída de cena de Renan é estratégica para evitar constrangimentos e tumultuar o processo quando o governo negocia a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e quando uma nova representação o ameaça. Hoje a Mesa analisa nova representação sob especulações de que ele poderia renunciar ao mandato para tentar escapar dos processos de cassação que enfrenta.
Desde que se afastou do comando da Casa, há 13 dias, Renan não foi ao Senado e ficou recluso na residência oficial onde prepara sua defesa. Ele responde a quatro processos por quebra do decoro.
O afastamento de Renan do mandato pode deixar brechas para que os cinco processos contra ele, que tramitam no Conselho de Ética, sejam adiados. O regimento interno do Senado não prevê a suspensão dos processos, mas também não determina que tenham prosseguimento em meio à licença de um senador - o que permite que a defesa de Renan questione a tramitação.
Afastado por licença médica, o peemedebista pode se ausentar de Brasília - o que lhe permitiria não apresentar defesa nos processos que já estão em tramitação, além de estar impossibilitado de receber notificações das novas representações que chegam ao conselho.
Apesar da brecha, o presidente do conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse que os processos contra Renan que já estão em tramitação no órgão não serão prejudicados com a licença.
''Os que estão tramitando não vão ser prejudicados. Não temos nenhuma diligência nesses processos que dependam do senador. O prazo para entrega de defesa continua. O que podemos ter alguma dificuldade são nos novos processos, até para a notificação do senador, se ele não estiver em Brasília.''
Pelo raciocínio de Quintanilha, somente o quinto processo contra Renan poderia ter sua tramitação postergada em meio à licença do senador - já que o presidente do conselho ainda não designou relator para o caso, o que na prática não deu início ao processo.
Os outros três processos contra Renan, segundo Quintanilha, prosseguiriam com a tramitação normal no órgão mesmo durante o período de ausência do peemedebista.
No segundo processo, Renan é acusado de reverter dívida de R$ 100 milhões da Schincariol junto ao INSS depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço acima do mercado. Renan já apresentou defesa ao senador João Pedro (PT-AM), relator do processo, que espera manifestação da Schincariol.
Já na terceira ação, o peemedebista é acusado de usar laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas. O relator do caso, senador Jefferson Péres (PDT-AM), havia fixado esta quarta-feira como prazo limite para Renan apresentar defesa.
O presidente licenciado do Senado também responde a processo pela acusação de que participou de esquema de desvio de recursos em ministérios chefiados pelo PMDB. O relator, Almeida Lima (PMDB-SE), não definiu cronograma de trabalho para as investigações.

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