Brasília - A crise na base governista em torno dos postos de comando da CPI da Petrobras mudou-se para São Paulo ontem. Convencido de que setores do governo, do PT e até do PMDB estão atuando para enfraquecê-lo, deixando-o isolado, o líder peemedebista no Senado, Renan Calheiros (AL), deixou Brasília de avião no final da manhã de ontem, em companhia do líder do PTB, senador Gim Argello (DF). A pretexto de visitar a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, recém operada de um aneurisma cerebral, a dupla desembarcou na capital paulista para traçar uma tática de resistência, aconselhando-se com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que acompanha a filha no hospital Albert Einstein.
A recusa de Renan à indicação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para relator da CPI da Petrobras tem uma razão definida. Por trás do veto há uma briga de poder. O raciocínio neste caso é de que há uma ofensiva para atropelar Renan na definição do comando da CPI, para que ele saia enfraquecido das negociações.
Jucá é parte desta estratégia, que visa impedir que o governo continue refém de Renan e Sarney. É neste contexto que o líder do governo estaria sendo instigado por aliados do Planalto, entre os quais o líder do PT, Aloizio Mercadante (PT-SP), a criar uma interlocução direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a própria bancada do PMDB, atropelando a liderança de Renan. Sarney não é mais o alvo preferencial dos ataques agora centrados em Renan porque já está enfraquecido pela guerra de denúncias de irregularidades no Senado, em que se meteu desde a eleição, em fevereiro.
O líder peemedebista acredita que está sendo vítima de ataques, inclusive familiares. Deixou Brasília abatido com a denúncia de que seu filho Rodrigo é funcionário fantasma do gabinete do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE). Como o rapaz passou por um tratamento médico, Renan se sentiu pessoalmente atingido e atribui a denúncia a ''um golpe baixo dos adversários'', sobretudo no momento em que também sua mulher, Verônica, acaba de deixar a clínica em que esteve internada nos últimos meses para tratar da saúde.
Para um ministro próximo do presidente Lula, que acompanha os queixumes de Renan, o líder do PMDB anda ''magoado com todo mundo'' por conta da situação familiar difícil que está enfrentando. O ministro não vê razão para tanta polêmica em torno de uma CPI em que o governo conta com maioria confortável de 8 a 3 dos 11 votos de titulares. Para dificultar ainda mais a vida de Renan, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) - um dos três titulares do PMDB na CPI - avisou-lhe que não aceita a relatoria em hipótese alguma.

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