Brasília - Em duas ocasiões, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), esquivou-se de responder diretamente se vai permanecer no cargo caso o Supremo Tribunal Federal (STF) receba uma denúncia que o acusa de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. No final da manhã de ontem foi divulgado que o STF terá de decidir em breve se Renan - quarto na linha da sucessão da presidência - deve se tornar réu.
Na noite de terça, o relator do caso, ministro Luiz Edson Fachin, liberou a decisão sobre o recebimento da denúncia para julgamento pelo plenário. A investigação sobre Renan é feita no âmbito da apuração sobre suposto recebimento de propina da construtora Mendes Júnior para apresentar emendas que beneficiariam a empreiteira, em 2007. O escândalo levou-o a renunciar à presidência do Senado na ocasião para não ter o mandato o cassado.
Na chegada ontem a seu gabinete, o peemedebista não respondeu se continuará à frente da presidência do Senado e do Congresso se o Supremo torná-lo réu. Ele disse que a investigação corre sob segredo de Justiça e que a denúncia foi oferecida às vésperas da eleição para presidente do Senado há quase três anos, pelo então procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
"Nós já demos todas as explicações, eu não posso tratar de detalhes porque isso está tramitando lá em segredo de Justiça. Duas outras denúncias já foram arquivadas", disse Renan, sem detalhar o que teria sido rejeitado.
Questionado pela primeira vez se fica no cargo, Renan não respondeu diretamente: "Ninguém mais do que eu tem interesse no esclarecimento desses fatos. Vocês lembram, eu é que pedi a investigação para que essas coisas todas definitivamente se esclarecessem." Logo depois disso, a assessoria de imprensa de Renan divulgou a seguinte nota: "Em respeito ao Poder Judiciário e às Leis do País, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informa que já prestou todas os esclarecimentos solicitados."

Réu
O STF discute a parte criminal do caso. Em outra frente, a Justiça Federal de Brasília abriu, no ano passado, ação contra o presidente do Senado na qual ele é acusado de improbidade administrativa por receber propina da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais. A Procuradoria da República no Distrito Federal enviou à Justiça, em 2014, uma ação de improbidade administrativa, afirmando que o peemedebista recebeu propina da construtora Mendes Júnior para pagar despesas que teve numa relação extraconjugal.
Na ação ainda é dito que Cláudio Gontijo, lobista da Mendes Júnior, fazia os pagamentos para o peemedebista e que a construtora foi beneficiada por emendas parlamentares apresentadas pelo Senador. Se for condenado por improbidade, o presidente do Senado pode ter que ressarcir os cofres públicos e até perder o cargo público. Renan já é alvo, no STF, de outros seis inquéritos abertos para apurar suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, investigado no âmbito da Operação Lava Jato. Ainda em fevereiro, o presidente da outra Casa legislativa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também pode se tornar réu em uma ação penal.

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