Renan pode deixar em definitivo a presidência do Senado
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está convencido de que não tem mais condições de retornar ao cargo quando completarem os 45 dias de licença do comando da Casa. A interlocutores Renan deixou claro que não pretende voltar ao cargo, mas estuda maneiras para se afastar em definitivo da presidência sem sofrer novos desgastes políticos.
A tendência de Renan, ainda segundo interlocutores do peemedebista, é formalizar sua saída da presidência somente no ano que vem - para não atrapalhar as negociações do governo na prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.
Renan estaria disposto a prorrogar por mais alguns dias sua licença da presidência para, assim, ganhar tempo antes de deixar o cargo oficialmente. O peemedebista está ausente do Senado há duas semanas, quando anunciou o afastamento da presidência. Na última segunda-feira, Renan também pediu licença de 10 dias do mandato para se manter afastado da Casa Legislativa.
O PMDB já dá como certa a decisão de Renan deixar o cargo. Nos bastidores, o partido deu início às conversas para escolher um nome que substitua o presidente licenciado. Os nomes cotados pelo partido, neste momento, são os senadores Garibaldi Alves (PMDB-RN), José Maranhão (PMDB-PB), Neuto de Conto (PMDB-SC) e até Pedro Simon (PMDB-RS) -mesmo com sua postura ''independente'' em relação ao governo.
Um dos líderes peemedebistas ouvidos pela reportagem disse que os quatro nomes poderão unir a base aliada do governo no comando do Senado. O partido apóia a decisão de Renan de se afastar em definitivo, pois avalia que não há clima para o senador retomar as negociações da Casa -que vêm sendo conduzidas sem atropelos pelo senador Tião Viana (PT-AC).
O PMDB vai lutar, no entanto, para que o PT não entre na corrida sucessória de Renan. Como os peemedebistas devem assumir o comando da Câmara no ano que vem - em consequência de um acordo firmado com o PT na eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) - temem que os petistas insistam em ficar na presidência do Senado.
Os peemedebistas, no entanto, não estão dispostos a abrir mão da cadeira porque contam com o apoio do PSDB, que já sinalizou com a disposição em apoiar um nome do PMDB caso integre a ala ''independente'' da legenda. O PMDB também argumenta que, ao contrário da Câmara, o PT não reúne a maior bancada da Casa, por isso não tem poderes para pleitear a presidência do Senado.


