Brasília - Ensaiada nos últimos dias, a manobra para atrasar o aprofundamento das investigações contra o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), perdeu força. Hoje, a Mesa Diretora do Senado reúne-se para decidir sobre o envio à Polícia Federal (PF) do pedido de perícia detalhada nos documentos apresentados por Renan para, supostamente, comprovar ganhos de R$ 1,9 milhão com a venda de gado nos últimos quatro anos. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo suposto lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Um mês e 15 dias depois que estourou o escândalo, Renan decidiu, finalmente, ontem, considerar-se, formalmente, impedido de qualquer iniciativa relacionada ao processo por suposta falta de decoro parlamentar.
Num movimento que sinalizou recuo no uso do arsenal de intervenções, o presidente do Congresso enviou ontem ao presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), ofício em que pede que ''qualquer expediente'' relacionado ao caso seja encaminhado ao primeiro vice-presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC). Ao mesmo tempo, telefonou para integrantes da Mesa Diretora afirmando que não há manobra para adiar mais uma vez o processo.
''Se houver pedido de vistas, terá sido orientação do Palácio do Planalto. Não vamos aceitar isso. Em nome da credibilidade do Senado, não vamos aceitar votar nada sobre a presidência de Renan Calheiros. Vamos nos retirar do plenário'', disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).

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