Renan não convenceu em depoimento
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não conseguiu convencer ontem os relatores do primeiro processo a que responde no Conselho de Ética do Senado da sua inocência na denúncia que teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) afirmaram que Renan não conseguiu comprovar - no depoimento que durou quase duas horas - que efetivamente tinha recursos para pagar pensão à jornalista. O senador também deixou dúvidas sobre a sua evolução patrimonial nos últimos anos.
O único relator a se convencer com as explicações de Renan foi Almeida Lima (PMDB-SE), um dos principais aliados do peemedebista. Casagrande disse que Renan, apesar de ter considerado a perícia da Polícia Federal em seus documentos como ''muito positiva'', apresentou ''pontos contraditórios'' em seu depoimento.
No depoimento aos relatores, que ocorreu a portas fechadas, Renan tentou contestar ponto a ponto as dúvidas levantadas pela perícia da PF em seus documentos. Segundo Casagrande, o senador está ''muito satisfeito'' com a perícia porque considera que o trabalho da Polícia Federal prova que tinha recursos suficientes para pagar pensão à jornalista.
Sobre o empréstimo de R$ 178 mil tomado da locadora de carros Costa Dourada - de propriedade de seu primo Tito Uchoa - Renan disse aos relatores que pediu os valores em empréstimo para cobrir ''despesas pequenas'' em Alagoas.
''Ele disse que a pessoa de quem contraiu o empréstimo tem a segurança de que vai receber o dinheiro. Em 2004 e 2005, quando pegou esse dinheiro, ele afirmou que era quando estava precisando.''
Renan disse, segundo Casagrande, que não declarou o valor do empréstimo ao fisco porque tinha como objetivo manter os recursos em sigilo - já que na época pagava de forma sigilosa a pensão à jornalista. O valor que Renan contraiu em empréstimo seria quitado com duas notas promissórias, de R$ 214,89 mil e R$ 294, 56 mil, que venceriam em 31 de março e 31 outubro de 2007, mas não há, segundo os peritos, pagamentos registrados na empresa.
Os relatores reafirmaram que vão apresentar o relatório final sobre o caso dia 30. Casagrande disse que cada um dos três senadores vai apresentar, na semana que vem, relatórios separados com a sua visão sobre as denúncias.


