Brasília - Ao receber ontem toda a documentação do processo de impeachment, que foi autorizado domingo pela Câmara dos Deputados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), garantiu que tanto o presidente quanto o relator da comissão que vai analisar o processo terão de ser eleitos. O documento tem 36 volumes e 12.044 páginas foi entregue pessoalmente pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no gabinete de Renan. A afirmação de Reana dificulta acordo entre PMDB e oposição, que já possuíam nomes para indicação. "Há um detalhe, já observado na Câmara dos Deputados, é que o relator, diferentemente do que acontece nas comissões, precisa ser eleito a exemplo do presidente da comissão", afirmou afastando as possibilidades de nomes mencionados. De acordo com Renan, os líderes partidários vão conversar entre si para criar as condições necessárias para eleger presidente e relator.
O posicionamento de Renan frustra os planos da oposição, juntamente com a ala do PMDB aliada a Michel Temer, que já apontavam nomes para estes cargos.

RITO

Renan indicou que pretende instalar a comissão especial do impeachment da presidente Dilma apenas na semana que vem. A estratégia é fazer a leitura do processo na sessão deliberativa do plenário desta terça e abrir o prazo de 48 horas para a indicação dos partidos dos nomes que comporão a comissão até sexta, considerando que quinta é feriado e, portanto, o prazo é suspenso neste dia.
"Amanhã [terça] vamos conversar sobre a indicação dos nomes das bancadas e os líderes partidários certamente precisarão de 48 horas para que possam definir o que vai acontecer com a eleição de presidente e relator", disse Renan.
Dessa forma, a instalação da comissão e a eleição de seu presidente e relator do processo aconteceria apenas na segunda-feira (25). Apesar do plano agradar a base governista, Renan deixou claro que não irá postergar a votação em plenário sobre a admissibilidade do processo, que, se for aprovado, determinará o afastamento da presidente Dilma Rousseff do comando do país por 180 dias.

A ideia é que isso ocorra até 11 de maio, mas parte da oposição tenta pressionar Renan para que a comissão acelere os trabalhos de forma a viabilizar a votação na primeira semana de maio.

Ontem, Renan se encontraria com a presidente Dilma Rousseff e, logo em seguida, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

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