O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou ontem que não está disposto a abrir mão do cargo. Senadores da oposição e do seu próprio partido pedem que Renan se licencie da presidência enquanto estiver em curso o processo por quebra de decoro que tramita contra ele no Conselho de Ética.
''Quem quiser ser catão, vai ter que ser catão. Se quiserem a minha cadeira, se esse for o desejo político ocasional, vão ter que sujar as mãos, dizer ao Brasil porque estão tirando o presidente do Senado. Vão ter que botar a forca lá fora ou a fogueira e pegar o presidente do Senado lá dentro para queimar. Até essa hora, eu vou cumprir o meu papel na minha cadeira'', afirmou ele.
A declaração de Renan ocorrreu quando ele discutia com líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no meio da sessão plenária do Senado.
Virgílio questionou Renan sobre a decisão de seu advogado, Eduardo Ferrão, de recorrer do arquivamento do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no processo que tramita no Conselho de Ética do Senado. O líder também reclamou a Renan da decisão do advogado de questionar a perícia da Polícia Federal que está sendo realizada nos documentos do senador.
Renan disse que vai ''até o fim'' na defesa de seus direitos para provar sua inocência e que vai permanecer na presidência da Casa mesmo diante da ''cara feia'' de senadores.
''Se eu tiver culpa, talvez não cheguemos nem no plenário, eu reconhecerei a culpa. Mas ninguém vai me tirar daqui a não ser a vontade soberana do plenário. Não vão me tirar da presidência do Senado me fazendo cara feia.''
Virgílio respondeu que enquanto for líder do PSDB vai assumir a responsabilidade por todos os atos do partido - inclusive os menos agradáveis ao presidente da Casa. ''Não tenho outra cara. Há quem diga que a minha não é tão feia assim. Há gosto para tudo.''
O líder disse que a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), uma das relatoras do processo contra Renan, levou à reunião da bancada a sua preocupação sobre as duas intervenções realizadas pelo advogado do presidente do Senado. ''Não vim aqui para ameaçar, apenas para fazer questionamentos'', afirmou Virgílio.

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