Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) negou ontem que esteja disposto a deixar o cargo. Parlamentares da oposição e de seu próprio partido defendem que ele se licencie do cargo até a conclusão do processo por quebra de decoro parlamentar que corre contra ele no Conselho de Ética da Casa.
''Não saio. Estou tranquilo. Sofro pressão só da imprensa'', disse o presidente do Senado.
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel para a jornalista Mônica Veloso - com quem tem uma filha.
Renan encaminhou ontem a integrantes do Conselho de Ética cópias de documentos que indicariam que não houve duplicidade nos recibos apresentados por ele referentes à compra de gado em Alagoas. Os documentos foram levantados ontem pelo grupo de contadores que trabalha para o peemedebista.
O objetivo do senador é mostrar que não há irregularidades nos seus documentos encaminhados ao Conselho de Ética do Senado, e sim um equívoco na digitação de um recibo.
Renan tenta justificar a duplicidade em dois recibos encaminhados ao conselho que têm o mesmo número de um cheque do banco HSBC - 409.571 -, assinado por Marcelo Nunes Amorim. Segundo o senador, os recibos são referentes a transações distintas de vendas de gado e não se referem ao mesmo cheque.
O presidente do Senado encaminhou cópia de dois cheques que corresponderiam aos recibos. O cheque de número 409.571 teria o valor de R$ 30.800, referente à venda de 550 arrobas de gado. O segundo cheque, de número 409.575, com o valor de R$ 95.232, teria sido utilizado para a venda de pouco mais de 1.500 arrobas de gado.
Renan alega que, em um recibo, houve erro de digitação no número do cheque. O recibo que deveria justificar o cheque de R$ 95.232, acabou registrando o número do cheque referente ao valor de R$ 30.800.
Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos feitos para Mônica, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

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