Renan defende escolha técnica
Hugo Marques Agência Estado
Os nomes dos delegados Paulo Gustavo Magalhães Pinto e Zulmar Pimentel figuravam, até o começo da noite de ontem, como os principais candidatos à direção-geral da Polícia Federal em substituição ao delegado João Batista Campelo. Enquanto aguardava o chamado do presidente FHC para a reunião em que seria definida a indicação, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, insistiu que a escolha deve ser técnica e funcional, perfil em que se encaixa a trajetória dos dois mais cotados.
FHC telefonou pela manhã para o ministro e ficou acertado que se encontrariam para discutir o assunto. Até o início da noite, entretanto, Renan não havia sido chamado ao Planalto. Colaboradores próximos ao presidente evitaram comentar o nome do eventual escolhido, mas frisaram que não havia pressa em anunciar o novo diretor-geral da Polícia Federal. Será uma escolha sem açodamento, garantiu um interlocutor próximo ao presidente.
A idéia, afirmaram, era promover a escolha mais adequada, para não incorrer no mesmo erro que culminou na exoneração de Campelo apenas 72 horas após sua posse. Acusado de ter praticado tortura durante investigações conduzidas no regime militar, o delegado não aguentou a pressão e pediu demissão. Para o governo, embora a rapidez na escolha do diretor da PF fosse a melhor estratégia para evitar um novo round na disputa entre os partidos aliados, a maior preocupação era encontrar um nome de consenso e sem máculas.
Na lista de cinco nomes - de Marcelo Itagiba, Arthur Lobo Filho e Nascimento Alves Paulino, além dos dois preferidos - a decisão poderia ser feita entre Pimentel e Magalhães Pinto. A primeira conversa de Renan com FHC foi pelo telefone. Depois da ligação, Renan deu declarações indicando que sua permanência no governo não passa pela nomeação do novo diretor-geral da PF. O ministro fora derrotado na primeira indicação, quando tentou efetivar o delegado Wantuir Jacine, então diretor interino da PF.





