Renan, CPMF e mensaleiros marcam 2007
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sábado, 29 de dezembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Você pode não gostar de política e tampouco se lembrar, de pronto, de todos os nomes nos quais votou nas últimas eleições há pesquisas nacionais que confirmam esse lapso ; pode achar que, ano a ano, pouco muda, ou que, dia após dia, todos que integram esse meio são cada vez mais iguais. Há um porém: mesmo não sendo afim com a temática, dificilmente você chegará ao final de 2007 sem ter ouvido, na rua ou em casa, o menor comentário que seja sobre CPMF, Renan Calheiros, (in) fidelidade partidária e, claro, sobre a trupe de mensaleiros que desde 2005 povoa o noticiário nacional.
Mesmo não sendo ano eleitoral, 2007 ficou marcado pelas diversas movimentações no cenário político brasileiro. Se por um lado elas não resolveram o problema crônico de descrédito do eleitor nas instituições de poder, por outro, revelaram um pouco mais dos meandros nem sempre expostos à opinião pública na discurseira frente às câmeras e gravadores.
Queda de ministros
Com a Operação Navalha conduzida pela Polícia Federal (PF), foram 46 prisões temporárias na investigação de fraudes em contratos de obras públicas que teriam favorecido a Construtora Gautama em quatro ministérios, seis governos estaduais e duas prefeituras. O episódio custou ainda uma baixa no governo Lula: a do ministro de Minas e Energia Silas Rondeau (PMDB), apontado pela PF como suposto beneficiário de uma propina R$ 100 mil, da Gautama, supostamente beneficiada em contrato irregular do programa federal Luz Para Todos no Estado do Piauí.
Em novembro, foi a vez do ministro Walfrido Mares Guia, de Relações Institucionais, perder o posto a pedido. O petebista foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por peculato e lavagem de dinheiro nas eleições ao governo de Minas Gerais em 1998. O caso conhecido como mensalão tucano acabou com outros 14 denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF); entre os quais, o senador Eduardo Azeredo (PSDB), então candidato derrotado do partido, ao governo mineiro, e supostamente o principal beneficiário das fraudes relatadas ao STF.
STF x mensaleiros
O ano que acaba deixou registrada também no balanço político a transformação dos 40 suspeitos de envolvimento no escândalo do mensalão em réus, por parte do STF, no mês de agosto. Depois de cinco dias de análise, o Supremo aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os 40 suspeitos de participarem do esquema de pagamentos a parlamentares da base aliada em troca de apoio político no Congresso. O relator do inquérito, o ministro Joaquim Barbosa, citou em seu relatório nomes como o do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o do ex-presidente do PT e atual deputado federal José Genoíno, do ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares, e o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira. Junto com os demais réus, eles foram denunciados por formação de quadrilha e terão de responder à Justiça também por corrupção ativa.
O ano de Renan
De longe, o principal personagem político de 2007 foi o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que, reeleito para a Presidência da Mesa em feveireiro, a partir de maio viu ruir o poder conferido pelo posto mas não o mandato. Investigado pelo Conselho de Ética, Renan foi apontado como suposto beneficiário de pagamentos da empreiteira Mendes Junior à pensão mensal de R$ 12 mil destinada à jornalista Mônica Veloso, com quem tinha uma filha fora do casamento. A lenta agonia da imagem do parlamentar perante a opinião pública terminaria em parte, em setembro, com a absolvição em Plenário e em votação fechada. Este mês, pouco depois de renunciar à Presidência, Renan novamente se viu livre da cassação dessa vez, sugerida pelo relatório do Conselho que denunciava quebra de decoro parlamentar. Nesse caso, o alagoano era acusado de usar laranjas para comprar um grupo de comunicação no estado natal. A vaga dele na Mesa acabou preenchida pelo presidente-tampão Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Fim da CPMF. Será?
O enfraquecimento do aliado Renan e o fortalecimento da oposição no Senado contribuíram para que dezembro ficasse marcado também pela derrota do governo federal em relação à prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Sem conseguir aliar toda a arrecadação R$ 40 bilhões anuais a investimentos em Saúde, durante as negociações (já que tal proposta chegara apenas no dia da votação plenária), o Executivo terá de avaliar, em 2008, que alternativas adotar para reaver ao menos parte do prejuízo. Nesse cenário, pode ganhar força a protelada reforma tributária.


