Renan costura apoio do PSDB ao governo Temer
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Erich Decat<br>Agência Estado 
Brasília - Diante dos avanços do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado, o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), se reuniu ontem com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). O encontro entre os três ocorreu na residência oficial do Senado e durou cerca de 20 minutos. Apesar do pouco tempo, uma reunião prévia entre o vice e o tucano ocorreu antes das tratativas com Renan. "Foi uma visita de cortesia reiterando a sua intenção de ampliar as conversas com o PSDB e fazê-las como deve ser feita, institucionalmente", disse o tucano.
Depois de se reunir com Aécio, Temer chegou à residência oficial do Senado por volta das 11h20, cerca de uma hora antes do tucano também se dirigir ao local. Apesar de o vice evitar dar declarações à imprensa, Renan fez questão de abrir as portas da residência para que cinegrafistas e fotógrafos registrassem o encontro dos três.
Após as conversas, o senador Aécio Neves afirmou que Renan, na presença do vice-presidente, questionou sobre as intenções do PSDB num futuro governo Temer. "O que ele busca saber são as intenções do PSDB especificamente em relação ao apoio a essa agenda. Qual é a intenção do PSDB em relação ao governo Michel", disse Aécio.
"Disse a ele de forma muito clara que temos compromisso com o Brasil... Também conversamos sobre a tramitação do processo de impeachment, e ele ficou, a meu ver, feliz com a indicação e aprovação do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) como relator do processo na comissão especial", emendou o tucano.
Segundo ele, Renan voltou a afirmar que a votação do processo de impeachment na comissão especial ocorrerá entre os dias 10 e 12 de maio. Caso seja aprovada a admissibilidade do processo, Dilma é afastada do mandato pelo prazo de até 180 dias. Questionado sobre a participação no futuro governo Temer, Aécio ressaltou que, pessoalmente, preferiria dar apoio apenas dentro Congresso
"Não condicionaremos em nenhum momento o apoio a essa agenda de emergência para o Brasil à participação no governo. Eu preferiria e me sentiria mais confortável se esse apoio fosse congressual", afirmou.
Com a possibilidade de Temer assumir a Presidência da República, o PMDB deve acumular também o comando do Senado e da Câmara. Esse cenário tem sido alvo de críticas de integrantes da oposição e de partidos que devem compor a nova coalização num futuro governo. Segundo Aécio, a discussão sobre a sucessão das duas Casas, prevista para ocorrer no início do próximo ano, não tem, contudo, sido realizada neste momento.
FHC
Aécio vai a São Paulo hoje para conversar com o governador Geraldo Alckmin e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o apoio do partido a um eventual governo Michel Temer. Aécio defende que Temer adote uma série de propostas a serem formuladas pelo PSDB para a economia e a área social em troca do apoio da legenda no Congresso. Ele, no entanto, entende que o partido não deve se opor formalmente à ida de tucanos para um ministério montado pelo peemedebista. Alckmin, por sua vez, tem dado declarações contrárias à presença de tucanos na Esplanada caso Temer assuma. A ideia de Aécio é apresentar a Alckmin e FHC o documento com as propostas do PSDB a Temer e evitar que a sigla rache caso tucanos, como o senador José Serra (SP), de fato se tornem ministros. (Com Folhapress)


