Renan começa a enfrentar movimento pela identificação dos votos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Rosa Costa eAna Paula Scinocca<br>Agência Estado 
Brasília - Às vésperas do julgamento em plenário, na sessão que decidirá o futuro político, amanhã, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a enfrentar ontem um movimento pela identificação dos votos. Diante desse ato, reforçado pela decisão dos senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Suplicy (PT-SP) de apresentar à Mesa Diretora do Senado um projeto de resolução para ''abrir'' a sessão, Renan admitiu, em conversa com aliados, que vive o dilema de não saber quem está ou não ao lado dele.
Sem traições, Renan confidencia que a contabilidade chega a 55 votos favoráveis à absolvição - são necessários 41 para aprovar o parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que manda cassar o mandato dele. A dúvida, segundo senadores aliados, é que ontem Renan não sabia até que ponto pode contar com o apoio de colegas petistas e até mesmo senadores do PMDB.
A Constituição (artigo 55) e o Regimento Interno do Senado (artigo 197) determinam que, além do voto dos senadores ser secreto, a sessão também terá de ser fechada - sem imprensa nem funcionários do Legislativo no plenário, apenas com a presença dos parlamentares.
Renan será julgado amanhã em relação ao processo que o acusa de ter as despesas pessoais pagas pelo suposto lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.
De Vitória, o senador Gerson Camata (PMDB-ES) disse que proporá que o plenário tome, primeiro, uma decisão sobre o projeto de resolução de Amaral e Suplicy.
''Se a maioria concordar com o projeto, então, a sessão deverá ser aberta. Isso já vai dizer se o plenário quer condenar ou absolver o senador Renan.'' Mas Camata revela que há outro processo em curso: ''Se a maioria não aprovar o projeto de resolução, então, a votação não deverá ser eletrônica, pelo painel, mas por meio de cédula.''
A tentativa de os senadores do PT de São Paulo e do Mato Grosso do Sul alterarem o Regimento do Senado para ''abrir'' a sessão de votação do julgamento de Renan, dificilmente, será bem-sucedida. A questão maior é conseguir aprovar o projeto a tempo de valer para a sessão que decidirá o destino do senador do PMDB de Alagoas.
''Nós estamos dando mais transparência nesse processo e, se houver acordo de lideranças, fica mais fácil'', afirmou Amaral. ''Propor abertura 48 horas antes não dá tempo. Tinha de ter feito essa proposta há um mês'', afirmou o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP).
Segundo a secretária-geral da Casa, Cláudia Lyra, não há tempo hábil para que a proposta de resolução seja acatada a tempo de surtir efeito em favor ou contra Renan.


