Gerson Camarotti Agência Estado
O ministro da Justiça, Renan Calheiros, aceitou ontem permanecer no governo, segundo seu partido, o PMDB. A decisão foi tomada após uma reunião de quase duas horas com algumas das principais lideranças peemedebistas, que vinham atuando desde a semana passada para evitar que o ministro formalizasse um pedido de demissão. O ministro participou ontem de reunião promovida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto.
A decisão do ministro protela, ao menos por enquanto, a troca de comando no ministério da Justiça, dada como certa por colaboradores próximos ao presidente. Fernando Henrique já prepara uma reforma ministerial que poderá ser formalizada em agosto, oportunidade em que Renan deixaria o governo. A estratégia é manter o ministro até que o episódio Polícia Federal esteja superado e tenha deixado a mídia.
O presidente nacional do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), o senador Ramez Tebet (MS) e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (RN), passaram horas no gabinete de Calheiros convencendo-o a ficar no governo.
Renan só fala sobre o caso com seus amigos mais próximos. ‘‘Se eu tivesse falado qualquer coisa teria estourado uma crise’’, tem dito o ministro. ‘‘Fui envolvido nisso sem ter feito nada’’, reclamou a um interlocutor próximo. Na semana passada, o ministro da Justiça foi obrigado a aceitar a nomeação do delegado João Batista Campelo para a diretoria da PF, no lugar do seu candidato, o delegado Wantuir Jacine, então diretor interino da corporação.
Além de perder a nomeação, Calheiros sofreu desgaste pela briga pública com o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, que não endossou a indicação de Jacine. A disputa interna ampliou-se e tomou conta dos partidos que dão sustentação ao governo, envolvendo indicações do PSDB e do PFL. Na briga, o PMDB questionou a autoridade do presidente, aprofundando o desgaste.

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