Brasília - O novo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aconselhou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a ''evoluir'' para um governo de coalizão, como única forma de o Palácio do Planalto contornar suas dificuldades no Congresso, decorrentes das alianças ''circunstanciais, frágeis e soltas''.
Cinco horas depois das declarações de Renan, proferidas durante um café da manhã com jornalistas, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), também defendeu um governo de coalizão, mas em tom de crítica ao governo e de ironia em relação ao presidente do Senado.
''O Renan é sabido. Está abordando o tema que tem que ser aprendido pelo presidente Lula'', disse Severino. ''O que não pode ficar é com o governo trancado, reduzido a um pequeno número (de articuladores políticos) que só faz ocasionar derrotas'', completou, em uma referência velada à sua própria eleição para comandar a Câmara, impondo derrota ao PT e ao Planalto.
Informado de que Renan também havia advertido o Congresso de que não será possível impor ''goela abaixo'' à opinião pública o aumento salarial dos parlamentares, Severino afirmou que a sociedade está aceitando o debate em torno do reajuste de R$ 12.840,00 para R$ 21.500,00. ''O que a sociedade não aceita é desonestidade e roubalheira e, se existir isto dentro da Câmara, eu vou acabar'', emendou o deputado.
Sobre as MPs, Renan disse que é hora de mudar as regras. ''Talvez tenhamos que criar uma comissão mista (de deputados e senadores) especializada para examinar a urgência e a relevância. Não há mais como convivermos com o excesso de MPs, sob pena de degradarmos nossos mandatos.''

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