Renan Calheiros assume Senado com votação tranquila
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Fernanda Krakovics e<br>Ana Flor<br>Folhapress 
Brasília - Em uma votação que durou apenas 13 minutos, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito ontem o 60º presidente do Senado por 72 votos a 4. A queda-de-braço pelo posto entre ele e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) foi substituída por uma sessão de troca de elogios durante os discursos de posse e de despedida.
Contrariando as expectativas, a sucessão da presidência do Senado foi realizada sem turbulências, sendo Calheiros candidato único. A votação, apesar de secreta, ocorreu via painel eletrônico, ao contrário da votação na Câmara. O senador alagoano passou o ano passado em campanha aberta contra a votação de uma emenda que permitiria a reeleição de Sarney e do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP).
''O consenso em lugar do confronto, a concórdia em vez do dissenso, a compreensão e o entendimento substituindo a discórdia. Essas têm sido as práticas dessa Casa e a lição de sabedoria que venho, todos os dias aqui, me esforçando para aprender'', disse Calheiros na abertura de seu discurso de posse.
A calmaria que tomou conta do Senado foi garantida pela indicação da senadora Roseana Sarney (PFL-MA) para um ministério. A pasta ainda será definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, Sarney foi recompensado por ter visto seu plano de reeleição sepultado.
Sarney, que fez o primeiro discurso, também não mediu elogios ao novo presidente. Os dois estavam tão afinados que elegeram as mesmas prioridades para o Senado este ano: a reforma política e a mudança na tramitação do Orçamento e das medidas provisórias, cuja edição em excesso pelo Executivo foi criticada.
Nas últimas semanas intensificou-se o troca-troca partidário com vistas à definição das presidências das comissões temáticas da Câmara dos Deputados, definidas de acordo com o tamanho das bancadas. A briga é maior dentro do PMDB, onde as alas governista e oposicionista não param de filiar deputados.
Calheiros afirmou que vai marcar uma reunião na próxima semana com o presidente da Câmara, os líderes partidários e os presidentes dos partidos para discutir a reforma política, que está parada na Câmara.
Os líderes de partidos de oposição e do governo foram unânimes em dizer que o processo eleitoral foi um reflexo da ''maturidade'' do Senado. O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), disse que a ausência de disputa no plenário é ''uma demonstração de tolerância e de convivência com a diferença que é essencial ao parlamento''.
O líder do PFL, José Agripino Maia (RN), ressaltou que ''era claro que havia divergências'', mas todos os partidos buscaram o consenso. Segundo ele, com Calheiros na presidência surge ''um Senado onde a oposição é mais proeminente do que já foi'' e que a relação com o Executivo mudará.


