Remessas de dinheiro somam R$ 111 bi
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Paulo Pegoraro 
O procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, revelou ontem que as remessas de dinheiro ao exterior, em operações envolvendo as contas denominadas CC-5, chegam a R$ 111 bilhões, entre os anos de 92 e 96. Três foi convidado ontem para depor na manhã de quarta-feira na CPI do Sistema Financeiro pelo senador que a preside, Bello Braga (PFL-MA). A Comissão havia avaliado as remessas ao exterior por laranjas em apenas R$ 5 bilhões. O depoimento justifica-se pelo fato do procurador ter-se especializado na investigações da farra da remessa de dinheiro para fora do País.
A cifra levantada por Três é a soma de umas 50 mil remessas feitas por pessoas físicas e jurídicas, que aparecerem em lista fornecida ao promotor federal pelo Banco Central (BC), que, para obtê-la, precisou recorrer à Justiça Federal. O procurador de Cascavel - que trabalhou numa relação de 20 mil nomes, conforme a Folha já havia noticiado em abril - relatou que, dos R$ 111 bilhões, R$ 104,6 bilhões foram remetidos por pessoas jurídicas. Parte do valor é da lavagem de dinheiro de origem escusa, e envolve também sonegação fiscal.
Segundo o procurador, banquinhos inexpressivos participaram da lavagem. Sem identificar os banquinhos, ele revelou que apenas um enviou R$ 1 bilhão em uma só remessa, e o BC certamente acompanhou isso, mas parece não ter se interessado. Três disse que, na CPI, vai fazer um retrospecto de suas investigações, e apontar omissões do BC na fiscalização das contas CC-5, além do envolvimento de bancos como o Marka e FonteCindam.
Muito dinheiro passou pelos grandes bancos, mas o que impressiona é a predominância dos nanicos, em grandes valores, acrescentou, explicando que o BC tem acompanhamento diário da movimentação do dinheiro. Uma lista fornecida pelo banco à Comissão Parlamentar de Inquérito aponta remessas apenas de 1996 em diante, portanto com montante bastante inferior ao somado pela Procuradoria de Cascavel, com sua lista que alcança até 1992. Três, além de fazer relato na CPI, fará críticas, relacionadas à atuação de controladores do sistema financeiro nacional.
Segundo ele, muita gente entra nos cargos apenas como ilustres acadêmicos iluminados, sem um centavo no bolso, e, quando sai, vira banqueiro logo depois. O procurador também manifestará posição distinta do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, manifestada no depoimento dado por ele na CPI. Não vou ficar criticando leis para o setor ou a falta delas, mas lembrar que as existentes não são cumpridas, disse. Além disto, lembrou que a iniciativa de leis é do Executivo, do qual faz parte o senhor Everardo, portanto, se falta, há omissão.
A Procuradoria de Cascavel vem investigando a remessa de dinheiro para o exterior há dois anos. Através de contas abertas em nome de laranjas, pessoas humildes que apenas emprestaram o nome e documentos, mediante pequena remuneração, foram exportados cerca de R$ 400 milhões, em operações entre casas de câmbio e bancos paraguaios, de Cascavel e de Foz do Iguaçu. Quarenta pessoas já estão respondendo ação penal, de quinze delas a Procuradoria pediu o sequestro de bens, e de dez já houve o sequestro, por determinação da Justiça Federal. (Colaborou Agência Estado)


