Remessa de dinheiro via CC-5 é maior
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sábado, 22 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado estima que o total de recursos enviados à agência do banco em Nova York entre 1996 e 1998 através das contas CC-5 é de US$ 45 bilhões, US$ 15 bilhões a mais do que a Polícia Federal (PF) vinha contabilizando desde o início das investigações. Novas quebras de sigilo de contas da agência apontaram que apenas em 1998 cerca de US$ 30 bilhões foram movimentados.
Segundo o delegado da PF, José Castilho Neto, que assessora a comissão, o montante movimentado põe por fim a tese de que os responsáveis pelo Banco Central (BC) poderiam não saber da derrama. ''Foi uma verdadeira sangria. É como se existisse um prédio luxuoso, e de um dia para o outro todo o piso de mármore é retirado sem que ninguém veja nada. Operações desse porte não podem ter sido realizadas sem que houvesse conivência de autoridades'', afirmou Castilho.
O delegado, que atuou na investigação das contas CC-5 do Banestado em Nova York, afirma que parte do dinheiro remetido ilegalmente pode voltar para o Brasil. ''Quem remeteu dinheiro ilegalmente para o exterior está sendo autuado pela Receita Federal. As autuações já somam R$ 20 bilhões, só entre multas e impostos devidos. Além disso, muitos resolveram fazer retificações fiscais de seus dados após tomarem conhecimento das investigações. Entretanto, essas retificações não anulam os crimes que eventualmente tenham cometido'', destacou Castilho.
Os deputados federais e senadores que compõem a CPMI estiveram ontem em Curitiba para tomar o depoimento de ex-diretores e gerentes do Banestado em Nova York e no Brasil e também ouvir os responsáveis pelo Banco Araucária, liquidado em 2000 pelo BC após uma auditoria constatar que o banco paranaense teria enviado pelo menos US$ 20 milhões ao exterior de forma irregular. No total, 28 pessoas foram convocadas a depôr, embora nem todas tenham comparecido.
Os ex-diretores do Banco Araucária foram unânimes em atribuir a culpa pelas operações irregulares ao então presidente da instituição, Alberto Dalcanale Neto, que já depôs duas vezes à CPMI. Segundo o ex-diretor Reinaldo Silva Peixoto, poucas pessoas sabiam das operações do Araucária, uma vez que Dalcanale concentrava as informações sobre as atividades do banco. Questionado sobre o fato do Araucária ser o segundo banco com maior movimentação em contas CC-5 em Foz do Iguaçu, atrás apenas do Banestado, Peixoto considerou o fato natural. ''Tínhamos relações com o banco Integración, do Paraguai, e operávamos com casas de câmbio. É natural que a movimentação tenha sido grande'', afirmou.


