Brasília - Ao afirmar a autenticidade de sua assinatura, o deputado Vinícius Gurgel (PR-AP) disse ontem fazer uso de medicamentos controlados e que, combinados com bebidas alcoólicas, influenciaram na alteração da sua grafia. "Eu assinei o documento. Eu considero que eu assinei. Não vou dizer que considero ou desconsidero o trabalho de cada um [peritos]. Pergunte para o médico se você tomar um remédio e beber no dia anterior se pode ficar com a assinatura comprometida. Infelizmente estamos entrando em campos pessoais aqui", afirmou Gurgel quando questionado por jornalistas. Visivelmente irritado com as perguntas, o deputado chegou a se confundir sobre o dia em que deixou o documento assinado. Por vezes respondeu que havia sido na sexta-feira anterior à sessão, portanto, dia 26 de fevereiro. Em outras, falou em duas, ou até três semanas antes. Neste dia, o deputado do PT Assis Carvalho (PI), que ocupa a vaga de suplente do deputado por Amapá, passou a tarde votando requerimentos contra o peemedebista. A substituição, contudo, só chegou ao Conselho às 22h40. Gurgel também não soube explicar o fato de alguns parlamentares terem dito, durante a reunião em que ele não estava presente, que o documento com sua renúncia, assinado por ele, estava a caminho "de avião". "Não posso falar pelos outros, posso falar por mim. Já tinha deixado no meu gabinete". Ao se justificar aos demais conselheiros e outros parlamentares presentes na reunião do Conselho de Ética ontem, Gurgel disse que deixa diversas cartas de renúncia assinadas em seu gabinete como forma de garantir seu voto no colegiado em uma eventualidade como atraso de voo. O líder de seu partido, Maurício Quintella Lessa (AL), tomou por algumas horas seu lugar. Votou conforme sua vontade, a favor de Cunha.

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