Relatório vai citar senadores
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segunda-feira, 12 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos vai citar os dez senadores que relataram os pedidos de Estados e municípios para a emissão de títulos destinados ao pagamento de dívidas, a maior parte inexistente. Os dez senadores serão ouvidos, em conjunto, no dia 21. Eles já responderam a um questionário padrão e, em resumo, disseram que seus pareceres seguiram uma tendência da época: a da aprovação dos pedidos, sem maiores questionamentos.
Os políticos envolvidos nas operações de emissão e venda de títulos também serão citados no relatório do senador Roberto Requião, embora ainda não tenham sido ouvidos. Eles só deverão prestar depoimento após a divulgação oficial do relatório de Requião, já tendo conhecimento das acusações. Entre eles estarão os governadores de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB), de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB) e de São Paulo, Mário Covas (PSDB), além do prefeito Celso Pitta (PPB) e do ex-prefeitos Paulo Maluf e dos ex-administradores de municípios como Campinas, Guarulhos e Osasco.
A CPI ouve amanhã à tarde o depoimento do empresário Manoel Moreira Neto, proprietário da Sabra Factoring. Em conversa informal com os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Romeu Tuma (PFL-SP) e Vilson Kleinubing (PFL-SC), Moreira Neto teria dito que o cérebro de toda a operação de venda e emissão dos títulos irregulares foi o chefe do chefe de Wagner Baptista Ramos, ou seja, o ex-prefeito Paulo Maluf. Ramos é até agora tido como a pessoa que conseguiu pôr em prática o sistema de fraude nos títulos públicos.
Ao chamar Moreira Neto para depor na CPI, os senadores tentam fazer com que ele repita as declarações informais a Suplicy, a Tuma e a Kleinubing, na semana passada, em São Paulo. O comportamento de Moreira Neto tem sido dúbio. Para o senador Romeu Tuma, trata-se de uma pessoa muito esperta, que tenta lançar a confusão no meio dos parlamentares da CPI. Já Suplicy acredita que Moreira Neto está com vontade de ajudar o Brasil a sair da lama.


