Relatório sugere ao governo vender a Sercomtel
Curitiba - O deputado estadual Alexandre Khury (PMDB), subrelator da parceria da Copel com a Sercomtel, sugere para que o governador Roberto Requião (PMDB) se desfaça das ações que o governo detém da Sercomtel. Atualmente a Copel detém 45% das ações. ''A Sercomtel só tem dado prejuízos à Copel e seria interessante a venda das ações da empresa para outra empresa que tenha interesse em investir no setor de telecomunicações em Londrina e Cambé'', afirmou ele.
O diretor-presidente da Sercomtel, João Rezende, disse ontem que a Copel tem o direito de vender as ações que detém da empresa de telefonia. Ele discorda que a Sercomtel tenha dado prejuízo à Copel. De janeiro a setembro desse ano, a empresa teria dado um lucro de R$ 1 milhão. ''A decisão da Copel não cabe a mim. Se a Copel sair, não vai nos prejudicar. Buscaremos novos parceiros'', considerou ele.
O documento ainda traz projetos de lei e sugestões para o governo do Estado. Entre as sugestões estão a criação de uma Ouvidoria dentro da Copel, projeto de lei que obrigue a Copel a aprovar todas as parcerias pretendidas na Assembléia Legislativa do Paraná, a aprovação das parcerias só acontecerá quando a Copel for majoritária, a criação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) terá que passar pelo crivo dos parlamentares, votação do projeto de lei que impede a venda da Copel, no caso de venda de pequena quantidade de ações a Assembléia terá que ser informada e questionada, criação de um conselho de usuários para fiscalizar as ações da estatal.
Vanderlei Iensen (PMDB), subrelator dos contratos de compra e venda de energia, considerou as parcerias para a compra de energia com a Usina de Energia a Gás (UEG) de Araucária e da Cien como irresponsáveis e pede a responsabilização cível e criminal de todos os diretores da Copel que contribuíram para que os contratos fossem firmados.
''Os diretores foram irresponsáveis'', classificou. Iensen solicita ainda a dissolução do contrato com a UEG Araucária, com a venda de 20% das ações da Copel na parceria com a El Paso (que tem 60%) e com a Petrobras (que tem os outros 20%). No início desse ano, os pagamentos da compra de energia já haviam sido suspensos pelo governo do Estado. De acordo com ele, as duas parcerias para a compra de energia elétrica somaram um prejuízo anual de cerca de R$ 500 milhões. A previsão era de venda de 1,2 mil megawatts de energia das usinas para a Copel, considerada praticamente auto-suficiente.
O relatório final da CPI da Copel deverá ser encaminhado na terça-feira para o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), e para o Ministério Público (MP).





