A vereadora Ana Maria de Holleben (PT), de Ponta Grossa, pode ter o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Ela teria forjado o próprio sequestro no dia da eleição da presidência da Mesa, em janeiro, para evitar participar da escolha. Entregue na segunda-feira última, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso sugere a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra a petista. Agora o relatório será lido e votado pelo plenário da Câmara de Vereadores nas próximas sessões. Caso seja rejeitado, a CP fica descartada.
O vereador Alysson Zampieri (MD), que foi o relator da investigação, disse à FOLHA que agora os demais vereadores vão decidir se Ana Maria deverá passar pelo ''julgamento político''. ''Na CPI fizemos o trabalho de levantamento de dados, não julgamos a conduta dela, mas entendemos pelo encaminhamento para a abertura de CP porque existem elementos pra isso'', afirmou Zampieri.
Segundo ele, uma questão ainda não respondida pela CPI ''é quem teria sido o mandante, a quem interessaria'' o falso sequestro. Ele disse que o relatório da CPI está embasado em depoimentos de testemunhas e da própria vereadora. Também houve quebra do sigilo telefônico de Ana Maria. ''Como o telefone que ela usava pertence ao Legislativo não houve impedimentos para conseguir as informações.''
A reportagem entrou em contato com Ana Maria, mas o celular estava na caixa postal. Quando prestou depoimento à CPI, ela negou motivação política em seu ''desaparecimento'' na votação da presidência da Casa. Segundo declaração do presidente da CPI, vereador George Luiz de Oliveira (PMN), logo após o depoimento, a vereadora somente ''reiterou'' o que disse à polícia.
O depoimento à CPI, que durou quase duas horas, foi feito em tom de ''desabafo'', segundo o presidente da comissão. ''Ela teve tempo, liberdade para falar, e reiterou que sofre de transtornos psicológicos, que no dia da posse ela saiu para dar uma volta e não lembra mais o que aconteceu'', disse ele, na ocasião.
O MP sustenta na denúncia que Ana Maria tinha assumido compromisso de votar no vereador Paulo Cenoura (PSC), mas mudou de ideia e então teria forjado o próprio sequestro ''para poder se ausentar (da votação) sem se prejudicar politicamente''.

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