Relatório sobre Sudam vai citar Jader
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segunda-feira, 15 de julho de 2002
Edson Luize Carlos Mendes<BR>Agência Estado 
Brasília - Procuradores da República que trabalham no levantamento de fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) concluem, hoje, a redação da denúncia relacionada à Usimar Equipamento Automotivos - projeto que recebeu R$ 44 milhões em financiamentos, sem nunca ter saído do papel. O ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) deverá ser apontado como um dos beneficiados pelos desvios de recursos públicos.
Os investigadores ainda estão analisando se pretendem incluir na lista de denunciados a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PFL) e seu marido Jorge Murad.
O procurador da República no Tocantins, Mário Lúcio de Avelar, afirma que Jader, de acordo com testemunhas, ajudou na concretização do projeto, mesmo não tendo participado de sua elaboração. A proposta de realização da Usimar nasceu no Maranhão, e seu escritório de representação foi instalado no mesmo imóvel onde funcionava a sede da Lunus Participações, empresa de Roseana e Murad, na qual foram apreendidos pela Polícia Federal R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo.
Os procuradores estavam concluindo ontem a análise de documentos que podem comprometer a ex-governadora e seu marido, mas ainda não tinham decidido se os dois seriam denunciados. ''Pode haver indícios entre os documentos que mostrem que os dois estavam em uma outra ponta do caso e Jader em outra. Eles, na elaboração do projeto, e o ex-senador, na viabilização dos recursos'', diz um procurador que analisa o caso.
A principal testemunha contra Jader foi o empresário e lobista Amauri Cruz, que contou como foi montado o esquema. Os empresários Teodore Hubner, que seria o dono da Usimar, nem mesmo teve participação efetiva nos negócios, segundo informou um dos procuradores.
No Judiciário - Jader Barbalho afirmou ontem, em Belém, que não irá ''bater boca'' com o procurador federal Mário Lúcio, que o acusou de chefiar a quadrilha envolvida no suposto desvio de R$ 44 milhões da extinta Sudam para a empresa Usimar Componentes Automotivos construir uma fábrica em São Luís (MA).''Eu discuto com o procurador no âmbito adequado, que é o Poder Judiciário. Os representantes do Ministério Público não são a Justiça no Brasil, mas parte da relação processual'', disse.
Para ele, a manifestação de Avelar caracteriza um ''pré-julgamento, falta de isenção e passionalidade com que o assunto está sendo tratado''. Segundo o ex-senador, a Constituição Federal é clara ao argumentar que nenhuma pessoa pode ser declarada culpada, sob qualquer aspecto, antes de o assunto passar pelo crivo da Justiça.
Essa nova acusação do procurador, de acordo com Jader, não passa de mais uma orquestração parecida com três boatos recentes envolvendo seu nome e que foram amplamente divulgados pela mídia nacional, mas depois ''desmoralizados'' pela dinâmica dos fatos.


