SÃO PAULO - A comissão de sindicândia da Câmara que investiga a denúncia de corrupção contra o deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO) entrega o relatório sobre o caso na quarta-feira. Se a comissão concluir que houve corrupção, a punição prevista é a cassação dos direitos políticos por falta de decoro. Abrão, líder do PTB na Câmara e sub-relator da comissão de Orçamento, foi acusado pelo ministro Gustavo Krause, do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, de pedir propina a um dos diretores da construtora Andrade Gutierrez em troca da previsão de recursos do orçamento para uma obra no Ceará.
Para o deputado Ronaldo Perim (PMDB-MG), coordenador da comissão de sindicância, ‘‘o parlamento deve à sociedade uma resposta rápida, com punição exemplar, se for confirmada a corrupção’’. O deputado José Anibal (PSDB-SP), líder do partido na Câmara, reafirma o desejo do governo de uma apuração rápida e rigorosa.’’
O deputado Hélio Bicudo (PT-SP), relator da comissão, passou o dia ontem discutindo o caso com colegas da Câmara. A comissão pretende ouvir na terça-feira mais quatro envolvidos no caso: Alfredo Moreira, diretor da Gutierrez que denunciou Abrão a Krause; Paulo Romano, secretário do Meio Ambiente; deputado João Leão (PSDB-BA), que integra a comissão do Orçamento; e Pedrinho Abrão. Anteontem foram ouvidos o ministro Gustavo Krause, que confirmou a denúncia, e o deputado Pinheiro Landim (PMDB-CE), que teria sugerido a Abrão que reduzisse a propina pedida à construtora. O deputado negou o envolvimento.
Se confirmada a denúncia contra Abrão, a aplicação da pena pode ser demorada. Pelo trâmite legal, o relatório da comissão segue para a Mesa da Câmara. Lá é feito um projeto de resolução pedindo a cassação do deputado. O processo é enviado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise. Daí, confirmada a corrupção, o processo é encaminhado à Câmara, para votação em plenário.
O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a ‘‘decência’’ do governo e a ‘‘moralidade na administração’’ durante discurso na inauguração da duplicação da estrada que liga Goiânia a Anápolis. Sem citar o líder do PTB na Câmara, Pedrinho Abrão (GO), acusado de tentar extorquir a empreiteira Andrade Gutierrez, o presidente continuou: ‘‘Se o governo perder a decência, aí o povo perde a esperança, perde a paciência.’’
Mesmo em ritmo de campanha, o presidente não quis falar de reeleição. Disse que se quiser terá uma obra por semana para inaugurar daqui para a frente. ‘‘Sabe o que é isso? Não é por causa de eleição nenhuma’’, rebateu. ‘‘É porque é dever nosso trabalhar e também mostrar ao Brasil o que estamos fazendo, porque nós estamos fazendo’’.
Bem-humorado, Cardoso desceu do palanque e correu para receber apertos de mão das pessoas presentes ao ato. Ele prometeu duplicar, até o final do seu mandato, outro trecho da BR-060, ligando Anápolis a Brasília, assim como estender esta duplicação até Itumbiara. Para fazer tudo isso, segundo o presidente, só é possível com ‘‘governo decente, imposto cobrado e pago, dinheiro bem aplicado e integração entre Estado, município e governo federal’’.

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