A apresentação do relatório de Jucá evidenciou que as dissidências no Senado em torno da reforma vão muito além da disputa em torno de heranças, jatinhos e iates. Formalizaram-se duas decisões já tomadas antes: foi adiada para a próxima semana a discussão do projeto e anunciada a ruptura do acordo de líderes partidários em torno de um projeto comum dos senadores.
''O relatório não contempla nada do que foi acordado, como a redução da carga tributária'', disse o líder pefelista, Agripino Maia (RN). O Senado, que havia prometido uma ampla reformulação do projeto, recuou diante da reação dos governadores - que não abrem mão de vantagens já aprovadas pela Câmara, como a partilha das receitas da Cide, contribuição cobrada sobre o consumo de combustíveis.
Um aliado, Jefferson Péres (PDT-AM), fez o discurso mais contundente durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça destinada ao anúncio do texto. ''Nós vamos votar uma reforma pífia e prejudicial ao país'', disse. Apontou-se a timidez do artigo introduzido pelo Senado para, no futuro, permitir a redução da carga tributária.
As verdadeiras origens da insatisfação, porém, estão nos conflitos pela divisão do bolo tributário e na guerra fiscal entre os Estados. Por isso, só devem ser aprovadas neste ano medidas de interesse mais imediato do Planalto e dos governadores, como a prorrogação da CPMF.

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