Relatório expõe sujeira e reitor pode cair
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sexta-feira, 03 de agosto de 2001
Lino Ramos<BR>De Londrina 
Indícios de superfaturamento em obras e contratos publicitários, negligência no arquivamento de processos licitatórios e distribuição indiscriminada de funções gratificadas e cargos comissionados por parte da reitoria. Estas são algumas das 16 suspeitas de irregularidades na Universidade Estadual de Londrina (UEL), levantada pela comissão especial, criada pelo Conselho Universitário. O relatório foi divulgado ontem de manhã, durante reunião do conselho e sugere a instauração de processo para definir responsabilidade do reitor Jackson Proença Testa.
Logo após a apresentação do relatório, surgiram rumores sobre o afastamento de Testa. (O afastamento) depende somente do Conselho Universitário. Se estiver plenamente esclarecido, o caminho seria esse, afirmou o presidente da comissão, César Caggiano Santos. O mais indicado seria o afatamento para irmos até as últimas consequências (nas investigações), acrescentou Kennedy Piau, membro da comissão.
O conselho volta a se reunir na próxima quarta-feira para decidir quais procedimentos serão tomados. Um processo administrativo e diversas auditorias deverão ser instaurados. Vários obstáculos foram colocados ao nosso trabalho e achamos muito difícil aprofundar as investigações, verificar as irregularidades e punir os culpados com essa estrutura, observou Piau.
Crimes funcionais com certeza ocorreram, basta o Ministério Público e o Conselho Universitário darem sequência para apurar as responsabilidades e as pessoas que cometeram esses ilícitos, adiantou a advogada criminalista Sonia Regina Drigo, que prestou assessoria à comissão.
Testa, que estava de férias, apareceu para presidir a reunião do conselho e surpreendeu a todos, terminando o encontro logo após receber o relatório. A reunião está encerrada, era para a entrega do relatório, temos o direito a defesa e vamos fazer posteriormente, alegou o reitor, com voz embargada. Cerca de mil pessoas (entre integrantes do conselho e pessoas da comunidade universitária) estiveram no encontro.
Testa deixou o anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas sob vaias e demonistrava estar bastante nervoso. Inconformado com a postura do reitor, os membros do conselho fizeram uma auto-convocação, para que a comissão pudesse apresentar o relatório, composta por cerca de 200 páginas.
É lamentável o posicionamento do senhor reitor, o conselho não é do presidente, é da comunidade universitária, afirmou Piau. Indicado para presidir a reunião, o professor e médico Pedro Gordan observou que o relatório da comissão poderia ser aberto à comunidade, pois iria constar da ata da reunião, que é pública.
Para Caggiano, o que mais chamou a atenção durante as investigações foi a relação da UEL com a Mercer Propaganda, contratada em 95 pelo Governo do Estado. As comissões eram de 20%, mas eles cobravam 25%. Comoa agência não precisa de um limite para a liberação das licitações, eles contratavam e faziam o que queriam, afirmou.
No relatório, a comissão aponta que poderia ter sido pago até 50% em comissão. Isso porque a UEL utilizava os serviços de publiciadade realizados pela Metrópole Propaganda, demonstrando que não haveria necessidade de intermediação da Mercer.
Professores que acompanharam a leitura do relatório ficaram indignados com a informação de que Mário Henrique Mendonça teria sido beneficiado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para ministrar cursos e palestras. Ele é filho ex-chefe de gabinete do reitor Itaicy Mendonça e, em 98, teria recebido R$ 35,00 por hora trabalhada, enquanto doutores da UEL recebem R$ 12,50. Mário, ligado à área de informática, não é professor da UEL.
Ainda pela manhã, Testa entregou cópia do relatório ao promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti. À tarde, foi a vez dos integrantes da comissão procurarem o MP para apresentar o relatório. Galatti disse que irá juntar a documentação aos autos da investigação que já apura denúncias de superfaturamento em publicidade.


