Relatório deve sugerir cassação
BRASíLIA - Todas as pessoas ouvidas ontem pela comissão especial de sindicância da Câmara que apura denúncia contra o deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO) afirmaram que o parlamentar pediu 4% de comissão à construtora Andrade Gutierrez para manter no orçamento de 1997 a verba de R$ 42 milhões à continuidade das obras do Açude Castanhão, no Ceará. Nem mesmo parlamentares do PTB, partido do qual Abrão foi líder até ontem, acreditam na possibilidade da garantia do mandato. O relatório deverá ser encaminhado hoje ao presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), com a sugestão da cassação, por falta de decoro parlamentar. Em seguida, o processo vai para a Comissão de Constituição e Justiça.
Pedrinho Abrão reapareceu ontem na Câmara depois de seis dias. Demonstrava nervosismo. Acompanhado do advogado Júlio Queiroz Rabelo, atacou o relator da comissão especial de sindicância, deputado Hélio Bicudo (PT-SP). Segundo Abrão, Bicudo deveria ser afastado do cargo porque na eleição de 1994 admitiu ter recebido ajuda de campanha de empreiteiras, entre elas a Construtora Andrade Gutierrez.
Também atacou o ministro do Meio Ambiente, da Amazônia Legal e dos Recursos Hídricos, Gustavo Krause. De acordo com o deputado, nada justifica o interesse de Krause pela continuidade das obras do Açude Castanhão. Ele chegou a dizer que apóia a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o que está por trás da defesa que Krause faz da obra cearense.
O primeiro depoimento do dia foi do lobista Alfredo Moreira, da Andrade Gutierrez. Ele deixou a Câmara por uma passagem que leva do subsolo diretamente ao plenário e de lá para a rua. De acordo com informações de um parlamentar, Moreira reafirmou ter sido vítima de tentativa de extorsão por parte de Pedrinho Abrão, que lhe pedira 4% de propina.
Em seguida, foi a vez do deputado João Leão (PSDB-BA). Ele afirmou aos integrantes da comissão especial de sindicância que no dia 29 foi procurado pelo secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Romano, que estava junto com Alfredo Moreira. Na reunião, falou-se sobre a tentativa de extorsão. Leão sugeriu que a denúncia fosse transformada em ata, para ser levada ao Congresso, mas Alfredo Moreira não quis assinar nenhum documento.
Ao deixar a sala dos depoimentos, João Leão afirmou que não tinha conhecimento das declarações do lobista. Disse apenas que se Moreira não reafirmasse as denúncias, iria pessoalmente dar-lhe uns tapas na cara. O terceiro depoimento foi de Paulo Romano. Ele contou que pediu a ajuda de João Leão e que comunicou as denúncias ao ministro Gustavo Krause.





