Relatório das jaquetas inocenta Lara
Leandro Donatti
De Curitiba
A comissão de investigação, designada pela Secretaria da Segurança do Paraná para apurar o caso das jaquetas coreanas, inocentou o ex-comandante geral da Polícia Militar Luiz Fernando de Lara, ao não apontar responsáveis. O relatório, entregue ontem pelo secretário Cândido Martins de Oliveira para o presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), é genérico: admite que há falhas no sistema de controle dos recursos reservados para a compra de uniformes, mas em momento algum aponta Lara como o responsável por qualquer tipo de irregularidade. Lara foi acusado por colegas de se valer do dinheiro da corporação para conceder empréstimo ao empresário George Pantazis, um importador de jaquetas.
Diz o relatório, encaminhado ontem mesmo para a análise de Ricardo Chab (PTB), o autor do pedido de CPI para apurar o caso, que houve relativo excesso do uso da discricionariedade, mas todos os denunciantes e os demais coronéis que se opuseram a sua forma e método, autorizaram e ratificaram o pagamento do adiantamento (R$ 350 mil), decidindo em colegiado e, consequentemente, consolidando a compra sem qualquer tipo de avaliação ou competição pela escolha da empresa e seus preços.
Em resumo, Lara pode até ter se excedido no uso de suas atibuições como presidente do Conselho Econômico e Financeiro da PM, mas todos os seus atos foram avalizados pelos demais integrantes do Conselho, até por aqueles que mais tarde negaram a versão de que a PM iria comprar jaquetas coreanas. O que o livraria de culpa.
O relatório encomendado pela Secretaria de Segurança destoa das investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Público do Paraná. Os promotores que cuidam do caso, ainda sem um desfecho, dizem ter evidências comprovando a culpa de Luiz Fernando de Lara e relações suspeitas com o importador das jaquetas.
A comissão, presidida por Amaury Ramos, defendeu ainda no relatório a continuidade das investigações. A comissão diz, por exemplo, que as alegações feitas pelo empresário George Pantazis a quem teria sido proposta uma sociedade, a qual envolveria significativa parcela dos recursos da compra de jaquetas devem ser aprofundadas. A comissão criticou a falta de documentos para embasar as acusações feitas ao comando de Luiz Fernando de Lara, que foi afastado do cargo pelo governador Jaime Lerner (PFL), dentre outros motivos, por conta do caso das jaquetas.
O relatório genérico da comissão dá respaldo político para Ricardo Chab buscar a última assinatura para a instalação da CPI. O deputado fez ontem diversos contatos, muitos na base aliada. Uma fonte na Assembléia, ligada ao governo, garante que Chab já tem o número de assinaturas suficiente 18 para a instalação da CPI. Chab não quis se pronunciar ontem sobre o relatório que livra Lara de qualquer responsabilidade.
O deputado pretende fazer um pronunciamento hoje sobre o assunto. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), disse ontem que o trabalho da comissão encerra o caso. Não há necessidade de CPI, bateu na tecla, acompanhado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, que comunga da mesma opinião.Documento da Secretaria de Segurança chega à AL apontando que operação foi regular e que ex-comandante da PM não foi responsável
Arquivo FolhaOTIMISTAValdir Rossoni, líder do governo na AL: Com este relatório não existe mais a necessidade de CPI para investigar





