Relatório da PF liga Paulinho ao caso Praia Grande
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sábado, 17 de maio de 2008
Fausto Macedo e Roberto Almeida<br>Agência Estado 
São Paulo - A Polícia Federal ligou, em documento oficial, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) a pelo menos um contrato de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que está sob suspeita. O contrato, de R$ 130 milhões, foi fechado com a Prefeitura de Praia Grande (SP). A PF sustenta que parte desse montante (2%, ou
R$ 2,6 milhões) foi desviada. No rastro do lobista João Pedro de Moura, amigo e ex-assessor de Paulinho, a PF capturou telefonema dele para alguém identificado como Gil, ligado ao deputado.
O diálogo que a PF grampeou ocorreu no dia 10 de março - 44 dias antes da Operação Santa Tereza, que desmontou o esquema BNDES. Às 14h20, Moura ligou para Gil com o objetivo de tratarem expressamente do negócio relativo a Praia Grande e de uma viagem do lobista ao Rio, onde fica a sede do BNDES.
Em relatório que enviou à Justiça, a PF destacou: Como sabemos que João (Moura) é assessor do deputado Paulinho, fica evidente que seu chefe é o próprio deputado. Lembrando que a sede do BNDES é na cidade do Rio de Janeiro. João Pedro pede para Gil avisar o chefe que ele (João Pedro) vai ter que encaminhar o negócio da Praia Grande lá no Rio, então, não vai poder ir a Brasília essa semana. Pede para avisar porque senão ele (chefe) reclama.
Para a PF, a conversa entre Moura e Gil reforça suspeita de que Paulinho tinha ciência da operação Praia Grande.
Os federais já miravam o parlamentar desde a apreensão de uma planilha manuscrita na sede da Progus Consultoria, do empresário Marcos Mantovani, apontado como operador do esquema. O documento descreve a divisão de uma parcela dos R$ 130 milhões - R$ 2,6 milhões teriam sido distribuídos, dos quais R$ 1,3 milhão destinado à Progus e R$ 1,3 milhão dividido entre três pessoas, identificadas por Paulinho, Tosto e João Pedro. Para a PF, Paulinho é o deputado do PDT. Tosto é Ricardo Tosto, advogado e conselheiro afastado do BNDES.


